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O pai solo de cinco filhos que redefiniu o conceito de amor: “Nunca foi caridade”

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25/05/2025 - 08:00

Neste domingo, 25 de maio, é o Dia Nacional da Adoção. Dos quase 36 mil pretendentes habilitados para adoção no Brasil, apenas 760 aceitam crianças maiores de 10 anos, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Francisco Koch é uma dessas pessoas.

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Pai adotivo solo, o empresário de 48 anos tem cinco filhos, sendo quatro crianças e um adolescente. A jornada de construção dessa família começou ainda em 2011, quando o sonho de ser pai já pulsava forte. Em novembro, ele decidiu começar o processo de adoção, sem restrições de idade, gênero ou condição de saúde.

— No perfil, coloquei que poderia adotar de 0 a 18 anos, com deficiência física ou mental, sem limitação de gênero, raça ou religião — relembra.

O resultado foi a chegada de Cristiano, então com 14 anos, e Cristiny, de 9. Sete anos depois, a vida lhe apresentaria mais uma oportunidade de expandir esse amor.

Em 2019, a Justiça o convidou para conhecer Mayra, uma menina de 8 anos. O que Francisco não esperava era que, ao chegar ao abrigo, descobriria que Mayra tinha dois irmãos – Andriw, de 10 anos, e Iago, de 6. Diante da possibilidade de separar os irmãos, ele enfrentou o que chama de ‘o maior dilema de sua vida’.

— Desafiei minhas condições financeiras e emocionais porque não conseguiria dormir sabendo que os havia separado — confessa.

A família se construiu aos poucos

Segundo o Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), mais de 4.600 crianças e adolescentes estão disponíveis para adoção enquanto 36.324 pretendentes cadastrados aguardam para adotar, o problema é que a maioria busca por bebês, o que dificulta a adoção de crianças mais velhas.

Francisco não seguiu esse padrão, ainda que Santa Catarina siga.

— Adotar um adolescente foi mais que um ato político, foi a forma de eu dizer ao mundo que podemos transformar pessoas em todas as idades. Minhas adoções nunca foram caridade. Foram formação de família, com todos os altos e baixos que isso implica — completa.

Ele é um defensor da adoção tardia e rejeita a ideia de que o ato seja uma forma de caridade. Para ele e os filhos, família é sobre pertencimento e esse sentimento vai muito além dos laços de sangue, ele se constrói aos poucos:

— Antes da adoção eu não pensava muito nisso, não sei voltar no tempo e dizer que era o que eu queria, mas hoje eu sei que depois do que aconteceu eu tinha certeza de que era assim ter uma família — destaca Crisitiny, filha de Francisco.

A família desafia estereótipos

Francisco, que se tornou uma voz importante na discussão sobre adoção no Brasil, especialmente no que diz respeito à adoção tardia e à manutenção de grupos de irmãos, desafia estereótipos e ressalta:

— Você constrói o vínculo dia após dia, nas pequenas coisas. No final, essa história é muito mais sobre a vitória dos meus cinco filhos do que sobre a minha vida. Eles é que realmente mudaram minha vida e para melhor —

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