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De trauma à seleção: a história de Gustavo Picaski, a nova promessa do skate no Brasil

Ele começou sua trajetória no skate após um episódio traumático no surf
22/05/2025 - 08:12 - Atualizada em: 23/05/2025 - 07:50
História de Gustavo Picaski no skate é marcada por superação - (Foto: Divulgação/Redes sociais)

Gustavo Picaski, 22 anos, foi aprovado no final de abril na seletiva da seleção brasileira de skatepark. Natural de Imbituba, no litoral sul de Santa Catarina, começou sua trajetória no skate após um episódio traumático no surf, esporte que praticava na infância.

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— Eu era surfista. Tive meu primeiro contato com o skate por volta dos cinco anos, quando ganhei um de presente da minha avó e do meu primo. Usava pra simular manobras de surf na calçada —  relembra.

Mas foi aos nove anos, depois de quase se afogar no mar, que o skate virou seu hobbie e, depois, sua paixão.

Como Gustavo começou no surf

Na busca por um lugar para praticar, acabou descobrindo uma pista que funcionava nos fundos de uma pizzaria da cidade:

— Ali aprendi quase todas as manobras básicas. Ia todos os dias depois da aula — conta.

Pista onde Gustavo começou

Apoio da família foi essencial

Na época, como hoje em dia, o skate em Imbituba tinha pouca estrutura. O esporte nunca teve destaque, somente em 2025, foi dado início a construção de um skate park profissional,

Segundo Gustavo, apesar das dificuldades, o apoio da família sempre esteve presente. O pai o acompanhava nas viagens para campeonatos e, mesmo com limitações financeiras, a mãe também sempre incentivou. 

— Minha família sempre esteve comigo nesse sonho — destaca.

O que é skate park?

O skate park é uma modalidade do skateboarding que combina elementos do bowl e do street. Nesta categoria, os skatistas realizam manobras técnicas e acrobáticas, utilizando a topografia variada do parque para ganhar velocidade, altura e fluidez na execução dos movimentos.

A modalidade é um esporte olímpico que teve sua estreia em Tóquio 2020, voltando nos Jogos de Paris 2024. 

Primeiros passos no skate

Dificuldades moldaram a trajetória

Mas viver de skate nunca foi fácil. A falta de incentivo financeiro, dificuldades com patrocínio e a pressão dos resultados pesaram muitas vezes. 

— Pensei em desistir algumas vezes, principalmente pela falta de patrocínio e incentivo. É difícil se sustentar no esporte, as contas chegam, e você começa a pensar se não seria melhor largar tudo e seguir outro caminho — relata Picaski.

Mesmo sem patrocinadores, Gustavo seguiu, vivendo dos prêmios conquistados nas competições e contando com o apoio de uma loja parceira de Criciúma, que o acompanha há 12 anos.

— Pra conseguir superar isso, é essencial ter acompanhamento psicológico. Aprender a lidar com as dificuldades e com a pressão faz parte do processo. Ser atleta no Brasil não é fácil. São poucos os que conseguem viver só do esporte. Falta apoio, estrutura, suporte técnico e, principalmente, financeiro —completa.

A virada na carreira

O primeiro sinal de que poderia trilhar uma carreira no skate veio em 2014, quando venceu duas etapas do Campeonato Brasileiro de Bowl na categoria iniciante.

— Aquilo me deu vontade de seguir como atleta — diz Gustavo.

Já no profissional, sua estreia foi no STU de Florianópolis em 2019, após ser campeão na categoria amador, porém, não conseguiu alcançar o resultado esperado. A grande virada veio agora, em 2025, com a convocação para a seleção brasileira de skate na modalidade park. (assista abaixo).

O processo de seleção envolveu treinos, simulações de competição e avaliações técnicas em Curitiba. Gustavo garantiu uma das quatro vagas disponíveis e agora faz parte do time que representa o Brasil em competições internacionais.

Veja momento da classificação

— Foi uma felicidade absurda e um alívio. Apesar de ter conquistado seis títulos brasileiros de skate, sempre passei muito mais dificuldade do que tranquilidade. Quando saiu o resultado, percebi que tudo valeu a pena. Todas as dificuldades se transformaram em combustível — relata.

Como funcionou o processo de convocação

A vaga na seleção brasileira veio após um processo seletivo. Gustavo explica que foi feita uma pré-convocação de 15 atletas, que disputaram quatro vagas no time principal. Para chegar até essa lista, foram avaliados critérios como histórico em competições, nível técnico e outros aspectos.

Os skatistas passaram alguns dias em Curitiba, na pista do Tarumã, onde foram observados pela diretoria da Confederação Brasileira de Skate (CBSk) e pelos técnicos da seleção. Além dos treinos diários, eles participaram de um simulado de competição no formato de um evento mundial, com fase classificatória e final.

— Não foi avaliado só o desempenho nas manobras, mas também pontos como trabalho em equipe, comprometimento e evolução durante os treinos. Foi uma experiência muito intensa — relembra Gustavo.

Novos desafios

De acordo com o skatista, com a vaga na seleção, algumas mudanças começaram a acontecer, desde apoio financeiro até maior visibilidade e suporte técnico. 

— Entrar na seleção é só o começo de uma jornada longa. Meu foco agora é evoluir meu nível e disputar os eventos mundiais. Ir pras Olimpíadas e quem sabe conquistar uma medalha é, com certeza, um grande sonho — afirma.

Paralelo a isso, Gustavo também quer, no futuro, criar projetos sociais que deem oportunidade a jovens que, assim como ele, enfrentam dificuldades no começo da carreira.

Hoje, Gustavo superou o trauma de infância e, pratica surf por hobby com seus amigos.

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