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Ex-pessoa em situação de rua supera vícios e encabeça projeto social em Florianópolis: “me sentia invisível”

Eduardo Oliveira viveu nas ruas por quase dois anos
29/06/2025 - 08:00 - Atualizada em: 01/07/2025 - 00:04
Segundo ele, é errado rotular todas as pessoas em situação de rua como dependentes químicos ou criminosos — (Foto: Reprodução/Leandro Silveira)

O paranaense Eduardo Oliveira, de 55 anos, faz parte da equipe do Pastoral do Povo da Rua em Santa Catarina. Mas há poucos anos, em meados de 2013, ele vivia nas ruas de Florianópolis. A experiência de um ano e oito meses em situação de rua virou combustível para uma mudança em sua vida e na de outras pessoas.

Junto com mais duas pessoas, Eduardo coordena um projeto que promove acolhimento com moradia, atendimento psicológico e conexão com serviços básicos para quem vive em situação de vulnerabilidade

— A rua não almeja mais nada, não tem sonho, não tem nada. É mais uma luta por sobrevivência — diz Eduardo.

Do vício ao recomeço

Natural de Jacarezinho (PR), Eduardo chegou às ruas por causa do vício em jogos. Ele relata que muitos moradores de rua acabam se tornando dependentes químicos após estarem nessa condição, e não antes. Ele conta que é uma forma de anestesiar a dor, o frio e o medo, principalmente no inverno:

— A rotina mais dolorida é o tempo do frio e da chuva. Você tem que procurar um lugar coberto, disputar papelão com outros — conta.

Projeto promove rodas de conversa

Violência invisível e preconceito no cotidiano

Eduardo também denuncia a violência sofrida por moradores de rua, inclusive por parte das forças de segurança. O mesmo afirma que a violência acontece com frequência na madrugada, onde ninguém vê.

Ele critica o estigma que recai sobre quem vive nas ruas.

— Como que você quer que uma pessoa que não tem cama, não tem comida, não tem banheiro, esteja sempre feliz, sorridente, gentil com você? — questiona.

Como Eduardo saiu das ruas

O ponto de virada veio quando alguém o chamou pelo nome e ofereceu ajuda: — A fome não era só de comida. Era de atenção — lembra.

A partir dali, ele passou a receber apoio da Pastoral, com moradia, atendimento psicológico e cursos de qualificação. Em pouco mais de um ano, já estava vivendo de forma independente.

— A rua foi a melhor faculdade da minha vida — resume.

Projeto que muda vidas

Eduardo coordena hoje o projeto “Moradia Primeiro com Acompanhamento”, inspirado na iniciativa que deu certo em outros países, como os Estados Unidos. A proposta é simples: oferecer moradia digna como ponto de partida para reestruturação da vida.

Ao contrário dos abrigos temporários, o projeto aluga casas para famílias ou indivíduos, com apoio psicológico e assistência social contínua.

Palestras e atuação por políticas públicas

Eduardo também dá palestras, ou “rodas de conversa”, como prefere chamar, sobre temas como bullying, suicídio e vínculos familiares. Ele defende políticas públicas duradouras e integradas, focando na habitação, renda e qualificação profissional.

— Falta um diagnóstico qualitativo da população de rua, que enxergue habilidades e capacidades. A rua não é o problema. É o resultado da ausência de políticas públicas eficientes — afirma.

Marginalização dos moradores

Segundo ele, é errado rotular todas as pessoas em situação de rua como dependentes químicos ou criminosos.

— A pessoa que está na rua não é doente. Ela está doente. Ela adoeceu por causa da exclusão — pontua.

Veja como contribuir

Interessados em apoiar o trabalho da Pastoral do Povo da Rua ou conhecer mais sobre o projeto podem buscar informações diretamente com a equipe em Florianópolis. A Pastoral também aceita doações e voluntários.

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