Cosme e Damião: quem foram os médicos gêmeos que se tornaram santos
É celebrado em 27 de setembro pela tradição popular e oficialmente no dia 26 pela Igreja Católica os santos mais conhecidos da história: São Cosme e São Damião. Os irmãos se tornaram símbolos de fé, devoção e até de alegria infantil no Brasil.
A história deles mistura fé, tradição e elementos lendários. Pouca coisa é comprovada historicamente, mas estudiosos confirmam que o culto aos dois mártires começou muito cedo, entre os séculos 4º e 5º, em Roma.
— A única coisa que sabemos historicamente sobre os dois é que o culto a eles, santos e mártires, começou entre o século 4º e 5º. Há muita evidência sobre o culto — explicou à BBC News Brasil o vaticanista Filipe Domingues, vice-diretor do Lay Centre, em Roma, e professor na Pontifícia Universidade Gregoriana, também em Roma.
Cosme e Damião: médicos que não cobravam pelo cuidado
De acordo com o Martirológio Romano, catálogo oficial de santos e mártires da Igreja, os dois foram médicos cristãos que dedicaram a vida a tratar doentes gratuitamente. Essa prática lhes garantiu o título de “santos anárgiros”, expressão grega que significa “inimigos do dinheiro”.
A maior parte dos relatos sobre eles diz que eram irmãos, e geralmente afirma-se que eram gêmeos. Além disso, a tradição aponta que eles nasceram na região da Síria ou da atual Turquia.
A dupla atuava como médicos itinerantes e, além de cuidar da saúde, também evangelizavam.
Essa popularidade, no entanto, chamou a atenção do imperador romano Diocleciano, conhecido pela perseguição violenta aos cristãos. Por volta do ano 300, os irmãos foram martirizados e executados.
O culto e as tradições em torno dos santos
A fama de Cosme e Damião se espalhou rapidamente. Já no século 4º, foi erguida uma basílica dedicada a eles no Fórum Romano.
Com o passar dos séculos, surgiram relatos de milagres atribuídos aos irmãos, incluindo o famoso caso de um suposto transplante de perna: um sacristão teria sido curado após receber, milagrosamente, o membro de um africano recém-falecido.
No Brasil, a devoção ganhou um traço particular. Em muitas regiões, sobretudo em comunidades ligadas a religiões de matriz africana, Cosme e Damião foram associados aos orixás gêmeos Ibeijis. Dessa relação nasceu o costume de oferecer doces às crianças no dia da celebração.
Seja pela imagem de médicos generosos, pelo sincretismo com tradições afro-brasileiras ou pelas histórias de curas milagrosas, Cosme e Damião seguem sendo lembrados como símbolos de solidariedade, fé e proteção às crianças.




*Com informações do g1 e BBC.
Leia mais
Conta de luz seguirá mais cara em outubro; veja quanto vai pesar no bolso
FOTOS: Conheça ilha de R$ 4 milhões comprada por influenciador em Florianópolis