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Desenrola 2.0: SC tem menor endividamento do Sul, mas cartão de crédito ainda é vilão, alerta educadora

Programa federal amplia limite de renda e traz bloqueio para sites de apostas
07/05/2026 - 08:56 - Atualizada em: 07/05/2026 - 08:56
Cartão de crédito ainda é o grande vilão das famílias. (Foto: Arquivo)

O governo federal lançou o Novo Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas que oferece descontos de até 90% e parcelamento em até 48 vezes. A iniciativa chega em um momento de atenção para a economia da região Sul do país, onde o peso das contas varia entre os estados, mas o principal vilão é o mesmo: o cartão de crédito.

Na análise comparativa dos dados de março, Santa Catarina respira com o menor patamar de endividamento da região, registrando 73,5% das famílias com algum tipo de dívida. O índice é consideravelmente mais baixo do que as taxas observadas no Paraná (84,4%) e no Rio Grande do Sul (85,9%).

Quando o assunto é inadimplência (as contas que já estão efetivamente em atraso), o Paraná se destaca com a menor taxa (15,5%), enquanto SC e RS registram índices de 26,8% e 26,7%, respectivamente. Apesar do cenário catarinense mais equilibrado no endividamento geral, 86,3%dos endividados no Estado estão enrolados justamente com o cartão de crédito — número que chega a 94,1% entre os paranaenses.

A armadilha e a “anestesia” do cartão

Para entender por que é tão difícil usar o limite de crédito sem cair no vermelho, a educadora financeira Ana Oliveira explica que, na psicologia econômica, o cartão funciona como uma “anestesia”.

Ao utilizar cédulas físicas, a mente humana percebe imediatamente que “perdeu” aquela quantia. “Quando a gente entrega uma cédula de 100 reais para comprar algo de 50, a gente tem a consciência de que voltou 50, não tenho mais 100 reais”. Com o cartão, no entanto, o consumidor não sente a saída do dinheiro, percebendo apenas os benefícios imediatos da compra.

A facilidade das transações digitais, como pagamentos por aproximação e cadastros em aplicativos, estimula um consumo cada vez mais compulsivo e inconsciente. Para evitar a “bola de neve”, a especialista alerta sobre o perigo dos limites estratosféricos oferecidos pelas instituições: o limite do cartão deve ser de, no máximo, 50% da renda do consumidor. “Se a sua renda é 5 mil reais, você deveria ter um cartão de crédito com limite de até 2.500 reais e, de preferência, menos quantidade de cartões”, orienta.

As novidades do Desenrola 2.0 e o bloqueio de apostas

Diferente da primeira versão, o Desenrola 2.0 ampliou o seu alcance. O programa agora atende quem ganha até cinco salários mínimos (R$ 8.105) e permite negociações diretas com os bancos, o que facilita o acesso para quem não tem familiaridade com os meios online. Outra facilidade é a possibilidade de usar 20% do saldo do FGTS ou R$ 1 mil para abater as dívidas.

A educadora financeira destaca uma inovação imprescindível desta edição: o consumidor que renegociar suas dívidas ficará bloqueado do acesso a sites de apostas por um ano. A medida mira um problema crescente, já que grande parte do endividamento atual deriva do uso indiscriminado das plataformas de apostas online como uma falsa solução para problemas financeiros.

Como quebrar o ciclo e não voltar ao vermelho

Limpar o nome não é sinônimo de resolver o problema em definitivo. A especialista ressalta que, a menos que a dívida tenha sido gerada por uma emergência de saúde ou desemprego longo, ela é reflexo de uma desconexão entre a renda e os gastos. “É muito comum as pessoas acreditarem que a solução para sair do endividamento é mais dinheiro ou renegociar e voltar a ter crédito”, avalia. Sem educação financeira, o alívio do programa se torna apenas temporário.

Para quem está perdendo o sono e quer organizar as finanças hoje mesmo, a orientação é fazer um mapeamento crítico do próprio padrão de vida. O consumidor deve estar disposto a realizar cortes drásticos por um período de um ou dois anos. “A gente precisa deixar a ansiedade de lado e ter uma visão de médio e longo prazo para que a gente garanta a nossa sustentabilidade financeira ao longo de toda a nossa vida”, conclui.

*Sob supervisão de Vitória Hasckel

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