Vistoria revela estrutura misteriosa na antiga rodoviária de Florianópolis; veja fotos
A vistoria realizada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) na antiga rodoviária de Florianópolis revelou detalhes pouco conhecidos do espaço. Construído na década de 1950 e atualmente obsoleto, o imóvel tem sido ocupado por pessoas em situação de rua e virou motivo de polêmica na capital. A ação foi realizada no local na quarta-feira (30).
Durante a inspeção, foram encontrados colchões, roupas sujas, cobertores, baldes, embalagens de produtos, fezes, urina e até material queimado, com restos de cinzas espalhados. O prédio, localizado na Avenida Mauro Ramos, no Centro, estava dividido de forma precária como se fossem “cômodos”, com camas, sofás, frigobar, pratos e até uma caixa para guardar sapatos.
No segundo andar, único ponto com acesso interno permitido, a equipe constatou falhas estruturais graves e risco à segurança da população, segundo a promotoria.
Fotos da vistoria na antiga rodoviária











A inspeção foi conduzida pelo promotor de Justiça Fabrício José Cavalcanti, da 30ª Promotoria da Capital, com apoio de técnicos do Centro de Apoio Operacional Técnico (CAT) e acompanhamento do procurador de Justiça Daniel Paladino.
— Toda a sociedade está de olho nesse prédio. Precisamos de medidas efetivas o quanto antes — afirmou Cavalcanti.
Situação crítica do espaço
O CAT tem prazo de 20 dias para entregar um parecer técnico que irá embasar futuras ações do MPSC. O documento deve responder a questionamentos relacionados à integridade física do prédio e seu possível valor histórico, cultural ou artístico.
Ação gerou polêmica





A situação da antiga rodoviária gerou polêmica entre moradores, autoridades e internautas. De um lado, há quem defenda a demolição imediata do prédio por considerá-lo um risco à segurança pública, já de outro, estão os que pedem sua preservação, alegando valor histórico e potencial de revitalização.
Além das questões estruturais, o processo também investiga uma duplicidade de matrículas do imóvel, que está protegido por medida cautelar, ou seja, impedido de qualquer intervenção ou demolição até a conclusão de um estudo técnico sobre seu valor histórico e cultural.
Prédio foi construído nos anos 50
Construído em 1959, com base na Lei Municipal nº 319/1957, o prédio da antiga rodoviária foi inicialmente construído para ser um mercado público. O projeto, no entanto, foi reformulado e deu origem à principal rodoviária da cidade, que funcionou no local até o início da década de 1980.
Ao longo dos anos, o espaço também abrigou comércios variados e se tornou ponto de referência no centro da Capital. A legislação original previa que o terreno seria cedido à iniciativa privada por 30 anos, com possibilidade de renovação do contrato ou incorporação ao patrimônio municipal, nenhuma das alternativas chegou a ser executada.
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