UFSC reforça segurança após violência contra estudantes indígenas no campus de Florianópolis
Estudantes indígenas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) denunciaram três ataques diferentes, na última semana, no Campus Trindade, em Florianópolis. De acordo com informações da UFSC, os alunos foram apedrejados, dispersados com spray de pimenta e vítimas de xingamentos racistas por policiais militares.
Estudantes indígenas da UFSC são atacados





Os fatos motivaram uma manifestação oficial da universidade. A instituição explicou que o primeiro ataque teria ocorrido na manhã do último sábado (5). Estudantes indígenas transitavam pela sede do Diretório Central dos Estudantes (DCE) quando foram abordados por policiais militares. Segundo a UFSC, “nenhum dos agentes da força pública encontrava-se devidamente identificado”.
Durante a abordagem, os estudantes foram dispersados com o uso de spray de borracha e, segundo relatos, foram vítimas de balas de borracha. A instituição afirmou que os policiais não haviam sido acionados pela Secretaria de Segurança Institucional (SSI), responsável pela segurança no campus.
Horas depois, na mesma noite, os estudantes foram vítimas de mais um ataque: um grupo de pessoas agrediu fisicamente alguns dos indígenas com patinetes elétricos. O ataque também ocorreu no Campus Trindade.
Novo ataque ocorreu no Alojamento Estudantil da UFSC
Os estudantes indígenas foram vítimas de outro ataque, na noite de segunda-feira (7), enquanto se encontravam no Alojamento Estudantil da UFSC.
Segundo a instituição, um grupo de onze pessoas se dirigiu até o local, localizado no Campus Trindade, lançou pedras contra o alojamento.
Além disso, o grupo de pessoas ainda proferiu ofensas racistas aos estudantes presentes no alojamento. Estudantes relataram os xingamentos à reportagem da CBN Floripa, que optou por não divulgá-los.
Ação despertou reações de órgãos estudantis
Os casos geraram reações de órgãos estudantis. O Diretório Central dos Estudantes Luís Travassos, entidade representativa dos estudantes da UFSC, repudiou o ato em nota.
— Exigimos uma resposta imediata das autoridades competentes e da administração da UFSC para garantir a segurança e o respeito aos direitos dos povos originários — diz o DCE.
O órgão ainda afirmou que se reuniu com os representantes do alojamento indígena após os ataques. Segundo o DCE, o próximo passo será uma reunião com representantes oficiais da UFSC.
UFSC divulgou medidas emergenciais
Em nota da Administração Central, a UFSC afirmou que reúne imagens e registros do momento com o objetivo de apresentar uma representação formal ao Ministério Público (MPSC).
Além disso, a SSI adotou medidas emergenciais para ampliar a vigilância no entorno dos alojamentos indígenas. Segundo a administração, serão feitas rondas motorizadas e a pé, junto da instalação de câmeras adicionais no local.
A instituição ainda divulgou que equipes da Pró-Reitoria de Permanência e Assuntos Estudantis (PRAE) prestam apoio aos estudantes indígenas afetados.
Polícia Militar não se posicionou ainda
Procurado pela reportagem da CBN Floripa, a Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) afirmou que não havia sido notificada da ocorrência até a tarde desta quinta-feira.
Já o 4º Batalhão da Polícia Militar (4BPM), responsável por Florianópolis, afirmou que “possui uma minuta da ocorrência”, mas que ainda não poderia divulgá-la.
O espaço segue aberto para novos posicionamentos.
*Sob supervisão de Nicoly Souza
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