Traição e chumbinho: O que se sabe sobre o caso do médico e da sogra que envenenaram professora
O Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu manter as prisões do médico Luiz Antônio Garnica e de sua mãe, Elizabete Arrabaça, investigados pela morte da professora de pilates Larissa Rodrigues. O crime ocorreu no dia 22 de março deste ano, em Ribeirão Preto, e a vítima teria sido envenenada com uma substância conhecida como “chumbinho”.
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Durante audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (7), o TJ-SP entendeu que não houve ilegalidades nas prisões e, por isso, manteve os dois detidos.
Entenda o caso
Larissa foi encontrada morta no apartamento onde vivia com o companheiro. O laudo toxicológico apontou envenenamento como causa da morte, após a identificação da substância altamente tóxica no organismo da vítima. Segundo a Polícia Civil, o veneno teria sido administrado de forma gradual ao longo da semana anterior ao óbito.





Durante coletiva de imprensa, o delegado Fernando Bravo revelou que Larissa vinha relatando a amigas sintomas como diarreia sempre após encontros com a sogra. Ainda segundo a investigação, Elizabete teria tentado comprar o veneno cerca de 15 dias antes da morte, ao entrar em contato com uma amiga proprietária de fazenda para saber onde poderia adquirir o produto.
Tentativa de ocultação de provas
De acordo com a polícia, Luiz Antônio encontrou a esposa já sem vida e tentou limpar o apartamento antes de acionar socorro, em uma tentativa de eliminar evidências. Segundo o delegado, a conduta do médico reforça a suspeita de sua participação no crime.
Na terça-feira (6), o médico foi preso em seu local de trabalho e, ao ser informado sobre o mandado, pediu para ligar ao advogado e chegou a questionar os policiais sobre o motivo da prisão. Já Elizabete passou mal durante o interrogatório e precisou ser socorrida pelo Samu. Ela foi hospitalizada, mas teve alta ainda na madrugada.
Outro ponto que levantou suspeitas foi o primeiro depoimento da sogra. Inicialmente, ela relatou que Larissa a teria convidado para conversar na noite anterior à morte, pois ambas haviam perdido parentes recentemente. No entanto, a investigação e outras provas colhidas pela polícia indicaram que esse encontro não ocorreu.
Traição e nova investigação
A Polícia Civil também apura a participação de uma terceira pessoa no caso, a suposta amante de Luiz Antônio. Segundo as investigações, o médico teria ido ao cinema com a mulher na véspera da morte de Larissa. Ela foi localizada no apartamento do casal durante o cumprimento de mandados de busca e passou a ser investigada.
Os celulares da vítima, do médico, da sogra e da amante foram apreendidos e estão sendo periciados. A motivação do crime ainda não foi confirmada.
Além disso, a polícia abriu nova linha de investigação para apurar a morte da irmã de Luiz Antônio, Nathalia Garnica, que faleceu em fevereiro após um suposto infarto. A semelhança entre os casos levantou a suspeita de que ela também possa ter sido envenenada.

A Polícia Civil confirmou que irá pedir a exumação do corpo da irmã do médico Luiz Antonio Garnica, de 38 anos, preso nesta semana em Ribeirão Preto (SP) junto com a mãe.
O laudo toxicológico no corpo de Larissa apontou envenenamento pela substância conhecida popularmente como chumbinho.
Segundo a polícia, existe a possibilidade de que a irmã do médico, Nathalia Garnica, de 42 anos e que morreu em fevereiro, também tenha sido envenenada.
Defesa
O advogado de Luiz Antônio, Julio Mossin, negou o envolvimento do cliente na morte da esposa e afirmou que ainda não teve acesso aos autos do processo. — Adianto que Luiz não matou a esposa e nem concorreu para tanto — declarou.
A defesa de Elizabete, representada por Bruno Corrêa, preferiu não se manifestar por enquanto, alegando que o processo tramitava em sigilo.
Quem é Luiz Antônio Garnica?
Nascido em Pontal, na região metropolitana de Ribeirão Preto, em agosto de 1986, Luiz Garnica era casado com Larissa Rodrigues desde setembro de 2014.
Nas redes sociais, se apresentava como médico do esporte e ortopedista, dedicando-se a temas como hipertrofia, emagrecimento, saúde hormonal, doenças crônicas e envelhecimento saudável.
Frequentemente, exibia fotos ao lado da esposa e da cachorrinha do casal, Pandora, de oito anos, demonstrando momentos de sua vida familiar.





O médico também utilizava suas plataformas online para fins profissionais, compartilhando vídeos com dicas e informações sobre saúde e bem-estar, buscando interação com pacientes e respondendo dúvidas.
Luiz Antônio é médico com formação pela Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), onde se graduou em 2011. Segundo o Conselho Federal de Medicina, ele possui registro ativo e atua nas áreas de ortopedia, traumatologia, emagrecimento, saúde hormonal e doenças crônicas.
Após a morte de Larissa, o médico passou a publicar homenagens à esposa nas redes sociais, chamando-a de “amor da vida” e afirmando que ela o fez “o homem mais amado e feliz do mundo”.
As investigações seguem em andamento.
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