Produtos mais caros e demissões: como o tarifaço de Trump vai afetar Florianópolis
O tarifaço de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, está marcado para o dia 6 de agosto, com taxas de 50% destinadas aos produtos do Brasil. Segundo especialistas do setor, Florianópolis deve sentir o impacto em razão da exportação de produtos como pescados, tecnologias e peças industriais.
Edivan Junior Pommerening é professor universitário da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc) desde 2013. Especializado em temas ligados ao mercado financeiro, Edivan explicou as possíveis consequências do tarifaço em Florianópolis à reportagem da CBN Floripa.
O que vai mudar com o tarifaço de Trump?







Segundo o professor, Florianópolis pode sentir o impacto do tarifaço porque muitas empresas da região dependem da exportação de produtos catarinenses. Em especial, pescados, produtos tecnológicos e peças industriais.
Com tarifas mais altas, os produtos ficam mais caros para os norte-americanos. Isso reduz as vendas de Florianópolis e pode levar à queda na produção e até demissões em massa em alguns setores. Edivan explica que o desafio será buscar novos mercados para compensar a perda.
Os produtos vão ficar mais caros
A pergunta que não quer calar: os produtos vão ficar mais caros com o tarifaço de Trump, em Florianópolis? Segundo o professor, sim. Mas os impactos serão pequenos, já que as tarifas atingem exportações, não importações.
Por outro lado, o tarifaço deve derrubar a quantidade de dólares que entram na economia. Isso pode elevar o câmbio e encarecer produtos importados, segundo Edivan.
Em especial, os setores de transporte e energia podem ter custos maiores com a alta do dólar. Já o preço de produtos e de aluguéis podem também subir, caso a inflação tenha alta.
Em quanto tempo os efeitos do tarifaço serão sentidos
Segundo o professor, os efeitos poderão ser sentidos logo nos primeiros meses após o tarifaço. A queda nas exportações e redução de pedidos para empresas locais serão os responsáveis pelos efeitos.
Além disso, caso as tarifas sejam mantidas, os impactos podem durar de médio a longo prazo, afetando a produção e empregos. Empresas que dependem muito dos Estados Unidos terão mais dificuldades de adaptação durante o período.
Edivan explica que a solução é encontrar novos mercados. Desse modo, as importações norte-americanas serão substituídas por novos importadores, diminuindo os efeitos do tarifaço. Tudo vai depender de negociações e da capacidade de diversificar as vendas, segundo o professor.
Além de Florianópolis, tarifaço deve impactar toda SC
O professor explica que o tarifaço deve impactar não só Florianópolis, mas toda Santa Catarina. As exportações catarinenses tem os Estados Unidos como principal destino. Apenas em 2024, o país norte-americano movimentou US$ 1,74 bilhões (cerca de R$ 9,75 bilhões).
Em Santa Catarina, setores de móveis, madeira serrada, motores elétricos, autopeças e carne suína serão os mais afetados, segundo Edivan. Esses respondem por grande fatia das exportações para os Estados Unidos.
Vale lembrar que, inicialmente, os Estados Unidos já haviam taxado produtos brasileiros em 10%. Esse valor já foi responsável por prejudicar a presença catarinense nos mercados norte-americanos no primeiro semestre de 2025, especialmente no setor dos pescados.
SC será o quarto Estado mais prejudicado com tarifaço
Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), indicou que o tarifaço de Trump pode provocar impactos desiguais entre os estados do Brasil.
Santa Catarina aparece em quarto lugar na lista de maior prejuízo, com R$ 1,7 bilhões. Os estados da região Sudeste e do Sul serão os mais prejudicados, com perdas estimadas em R$ 4,4 bilhões apenas na economia de São Paulo. Esse valor representa uma queda de 0,13% no PIB de todo o Brasil.
Em seguida, estão os estados do Rio Grande do Sul (-R$ 1,917 bilhões) e do Paraná (-R$ 1,914 bilhões). O estado de Minas Gerais (-R$ 1,6 bilhões) fecha os cinco primeiros colocados, atrás de Santa Catarina.
Missão de senadores retorna dos EUA
A comitiva de oito senadores brasileiros que viajou aos Estados Unidos para tentar negociar o fim ou o adiamento do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros encerrou as agendas nesta quarta-feira (30).
Em uma coletiva que marcou o término da missão, os parlamentares fizeram um balanço da viagem e admitiram que não houve um avanço concreto que sinalize um recuo sobre o início do tarifaço, anunciado para esta sexta-feira (1º).
Apesar disso, indicaram que as reuniões serviram para abrir canais e construir pontes para uma negociação que deve continuar mesmo depois do início da nova tarifa.
*Sob supervisão de Raquel Vieira
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