Patinetes azuis são bem-vindos em cidade que tem na mobilidade o seu ponto fraco
A mobilidade de massa em Joinville — aquela que deveria ser eficiente e garantir que o cidadão chegue ao seu destino com dignidade — ainda é um problema mal resolvido. Não é necessário encomendar pesquisas para chegar a essa conclusão; basta circular pela cidade com os olhos atentos ou conversar com quem depende do sistema diariamente.
No transporte coletivo, a realidade do trabalhador joinvilense é dura: ônibus lotados e um calor insalubre, agravado pela falta de ar-condicionado. Enquanto a cidade aguarda pela tão prometida licitação, o sentimento é de que todos esperam por um milagre.
O fracasso da “cidade para carros”
Historicamente, Joinville investiu na lógica do transporte por automóveis. O problema é que, mesmo nessa estratégia, os resultados são questionáveis. O Binário do Iririú, parado em horários de pico, e a Monsenhor Gercino que se transformou em um verdadeiro calvário são provas disso.
A esperança agora reside em promessas futuras, como a Ponte Joinville e o novo binário da zona Sul, obras aguardadas com uma ansiedade que beira o esgotamento.
O “jeitinho” sobre duas rodas
Diante do caos, o joinvilense vai dando o seu jeito. De forma quase intuitiva, a população “agradece aos deuses chineses” pela popularização dos ciclomotores. O cartão de crédito financia a solução que o poder público não deu, e as ciclofaixas — felizmente, essas sim, expandidas — ganharam novos protagonistas, os novos pilotos dos veículos elétricos. É a sobrevivência urbana em duas rodas.
Patinetes azuis: lazer ou solução?
Neste cenário, a chegada da micromobilidade compartilhada — os patinetes azuis que se espalharam pela cidade desde a última semana — traz um novo elemento. É uma novidade bem-vinda, com um ar de “modernidade”, mas que cobra seu preço.
Com tarifas que podem chegar a quase R$ 1 por minuto, a experiência às vezes lembra mais um entretenimento, do que um sistema de transporte popular.
No entanto, para uma cidade tão carente de alternativas, o patinete ganha valor. Seja para ganhar tempo em deslocamentos curtos ou para conectar pontos turísticos, a inovação ocupa um espaço vazio.
A expectativa é que esses patinetes venham para ficar e que outras soluções surjam. Afinal, em Joinville, a mobilidade está longe de ser um ponto forte, e qualquer fôlego extra é, no mínimo, necessário.