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Parque Urbano e Marina da Beira-Mar Norte levantam debate sobre turismo, moradia e mobilidade em Florianópolis

Talk CBN Cidades reuniu representantes do poder público e do mercado imobiliário para discutir os impactos do empreendimento
14/10/2026 - 12:16
(Foto: David Walter)

A criação do Parque Urbano e da Marina da Beira-Mar Norte levanta questões sobre o futuro de Florianópolis, especialmente em relação ao desenvolvimento econômico, à qualidade de vida e ao acesso aos espaços públicos. O tema esteve em debate nesta quarta-feira (14), durante o Talk CBN Cidades, realizado no auditório do Trompowsky Corporate, no Centro da Capital, com a participação de representantes do poder público e do mercado imobiliário. 

Com mediação do colunista da NSC Renato Igor, o debate abordou os possíveis efeitos do empreendimento sobre o turismo, a valorização imobiliária, a mobilidade urbana e a ocupação do território. A discussão também evidenciou a necessidade de garantir que as transformações da cidade beneficiem diferentes parcelas da população, sem ampliar as desigualdades de acesso à infraestrutura e aos espaços urbanos.

Para Carlos Berenhauser Leite, presidente do Sinduscon Grande Florianópolis, um dos desafios é valorizar a região central sem afastar os moradores que já vivem nela. “Criarmos condições para que esse centro seja valorizado, mas que não expulse as pessoas que já estão aqui”, afirmou. Segundo ele, o reencontro da população com o mar precisa estar associado à economia e à qualidade de vida.

Leite também relacionou a implantação da marina à possibilidade de retomar discussões sobre o transporte aquaviário na Capital. De acordo com ele, o empreendimento pode estimular novamente o plano de transporte marítimo de Florianópolis, elaborado em 1992.

Turismo além da temporada

O Parque Urbano e a Marina da Beira-Mar Norte foram apresentados como uma intervenção com potencial para transformar a relação da população com a orla e movimentar diferentes setores da economia local. A estruturação do turismo foi um dos temas centraos do encontro. Para Fabrício Schveitzer, executivo e conselheiro do mercado imobiliário, Florianópolis reúne condições para aproveitar novas oportunidades de desenvolvimento, resultado de avanços em áreas como educação, saúde e infraestrutura. “Eu acho que a cidade fez o dever de casa para colocar Florianópolis na condição de capturar oportunidades”, avaliou.

Apesar disso, Schveitzer apontou que a Capital ainda precisa consolidar uma cadeia turística capaz de oferecer alternativas aos visitantes durante todo o ano. “A gente não tem uma indústria do turismo em Florianópolis. Se chover, a pessoa faz o quê aqui? A gente não tem hoje uma cadeia turística estruturada”, questionou.

O executivo também destacou o saneamento como um dos fatores que encarecem os imóveis na cidade. Na avaliação dele, a infraestrutura urbana precisa acompanhar o crescimento da demanda por moradia e serviços.

Ao tratar especificamente do Parque Urbano, Schveitzer defendeu que a estrutura seja planejada para atender diferentes públicos. “Não posso imaginar que um parque de 140 mil metros possa ser destinado a apenas uma parcela da população”, afirmou.

A preocupação com o acesso ao empreendimento também apareceu na fala da secretária municipal de Planejamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano, Ivanna Tomasi. Segundo ela, a concessão prevê uma variedade de estabelecimentos e serviços, com opções que vão do consumo cotidiano a marcas de luxo. A proposta, explicou, é que o espaço seja utilizado por pessoas com diferentes perfis e condições econômicas.

Como ficará a Marina?

Crescimento urbano e transporte coletivo

Ao longo do debate, porém, os participantes destacaram que os resultados dependerão também de decisões sobre mobilidade, saneamento, habitação e planejamento territorial.

Tomasi afirmou que o planejamento urbano precisa equilibrar a proteção do território com a necessidade de permitir o desenvolvimento da cidade. “O planejador urbano sempre tem que saber como proteger o território e, mesmo assim, como desenvolvê-lo”, disse.

A secretária ressaltou que Florianópolis continua crescendo e que a ocupação do solo precisa ser organizada de forma responsável. Para ela, o ordenamento territorial é uma das ferramentas para evitar que os custos de viver na cidade se tornem ainda mais elevados.

A mobilidade também esteve entre os assuntos abordados. Tomasi informou que o projeto do sistema de Bus Rapid Transit (BRT), modelo de transporte coletivo por corredores, já conta com recursos destinados e projetos em andamento. Segundo a secretária, a expectativa apresentada durante o encontro era lançar a primeira etapa do sistema em março de 2027.

Outro ponto destacado foi a destinação de recursos para políticas urbanas e habitacionais. Conforme Tomasi, mais da metade dos recursos do Fundo Municipal de Desenvolvimento Urbano está sendo direcionada ao Maciço do Morro da Cruz ou a projetos de habitação de interesse social no município.

A secretária também reforçou que o Parque Urbano deve funcionar como um espaço público de uso amplo. A intenção, segundo ela, é que a diversidade de serviços e estabelecimentos prevista na concessão permita que diferentes públicos se sintam convidados a frequentar a área.

Valorização imobiliária e mudanças nos bairros

A relação entre infraestrutura, comércio e valorização imobiliária foi abordada por Rafael Siqueira, diretor-tesoureiro do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Santa Catarina (CRECI-SC).

Sobre o Parque Urbano e a Marina, Siqueira ponderou que a oferta comercial precisará acompanhar o perfil das pessoas que frequentarem o espaço. “Quem vem para Florianópolis quer consumir Florianópolis, então esse mix vai ter que se adaptar a quem frequenta”, afirmou.

Siqueira afirmou que imóveis próximos à praia costumam apresentar valorização e observou que bairros litorâneos têm se tornado mais atrativos à medida que o comércio e os serviços se expandem nessas regiões. Segundo ele, a presença de estabelecimentos próximos de casa favorece a rotina de moradores, inclusive daqueles que trabalham remotamente.

O diretor também destacou a chegada de pessoas que escolhem Florianópolis para morar enquanto trabalham em home office. Nesse contexto, a oferta de serviços nos próprios bairros ganha importância, já que parte dos moradores consegue resolver suas necessidades cotidianas sem percorrer grandes distâncias.

O engenheiro João Luiz Félix, da JL Construções, empresa vencedora da concessão do empreendimento, estava previsto entre os participantes, mas não conseguiu comparecer devido às condições climáticas no Paraná.

*Sob supervisão de Vitória Hasckel

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