Início » CBN Floripa » Cotidiano

Paciente com câncer usa remédio por 20 dias, percebe efeito inesperado e polícia investiga possível fraude em SC

Material apresentado como Lorlatinib 100 mg teria sido enviado a paciente com leucemia
09/10/2026 - 09:17
(Foto:Divulgação)

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul investiga a suspeita de falsificação de um medicamento oncológico que teria sido adquirido de uma empresa de Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina. Na manhã desta quinta-feira (8), policiais cumpriram um mandato de busca e apreensão no estabelecimento.

A investigação começou depois que um paciente com leucemia recebeu a prescrição de um medicamento que não é fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Por meio de uma decisão judicial, a Secretária de Saúde do munícipio onde ele mora encomendou o produto de uma empresa localizada em Itajaí.

Segundo a Polícia Civil, o paciente tomou o medicamento por cerca de 20 dias, mas percebeu que o tratamento não parecia apresentar os efeitos esperados. O material foi levado ao médico responsável pelo acompanhamento, que identificou inconsistências nas cartelas, embora a caixa apresentasse aparência regular, as embalagens internas não seriam compatíveis com o medicamento prescrito.

O caso foi então comunicado à Policia Civil pela Secretária de Saúde e pelo próprio paciente. Durante as diligências, investigadores encontraram elementos que levantaram a suspeita de que o material apresentado como o medicamento pudesse ser falsificado.

Pesquisas em bases de dados e fontes comerciais estrangeiras apontaram semelhanças entre as cartelas apreendidas e um produto alimentício comercializado na China, identificado como uma bala macia, ou soft candy.

A Polícia Civil ressalta, porém, que ainda não é possível afirmar que o conteúdo seja, de fato, um produto alimentício ou determinar quando e por quem o material teria sido colocado na embalagem apresentada como medicamento. Os comprimidos serão submetidos à perícia.

Documentos são apreendidos

Durante a operação em Itajaí, os policiais não localizaram outras unidades do medicamento investigado. Foram apreendidos documentos que podem ajudar a esclarecer a origem do produto e a cadeia de importação e distribuição.

A investigação busca identificar a procedência do material, verificar como ele chegou ao paciente e apurar eventual responsabilidade dos envolvidos.

A suspeita é tratada com gravidade pela Polícia Civil por envolver um produto apresentado como medicamento oncológico. A eventual substituição de um remédio por uma substância de natureza diferente pode representar risco à saúde, especialmente para pacientes que dependem de tratamentos específicos contra o câncer.

Segundo a delegada Milena Simioli, titular da Delegacia de Polícia de Proteção ao Consumidor, Saúde Pública e da Propriedade Intelectual, Imaterial e Industrial (DECON), a apuração tem como objetivo proteger os consumidores diante da possibilidade de fraude envolvendo um tratamento médico. “Mais do que uma possível fraude comercial, estamos diante de uma situação que pode colocar em risco a saúde de pessoas que dependem de um tratamento médico”, afirmou a delegada.

A investigação segue sob sigilo. Novas informações devem ser divulgadas após o avanço das diligências e a conclusão dos exames periciais.

*Sob supervisão de Vitória Hasckel

Destaques CBN