Operação Boi Fantasma mira grupo que movimentou R$ 100 milhões com gado inexistente
A Operação Boi Fantasma foi deflagrada na manhã desta terça-feira (9) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), com apoio ao GAECO do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). A investigação apura a atuação de uma organização criminosa que realiza o comércio de gado inexistente e operar na lavagem de dinheiro.
Os mandados de busca e apreensão foram expedidos pela 2ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro de Porto Alegre/RS nos municípios de Palhoça e Joinville.
Foi identificada uma organização criminosa que movimentou cerca de R$ 100 milhões com uso de propriedades rurais arrendadas e transações fictícias. O trabalho revelou um esquema estruturado de lavagem de dinheiro, no qual o grupo, de até 25 pessoas, simulava atividade agropecuária para ocultar recursos.
Para isso, foram arrendadas duas propriedades rurais e utilizados “laranjas” para emissão de notas fiscais e Guias de Trânsito Animal (GTAs), sem qualquer movimentação real de rebanho. Monitoramentos confirmaram a inexistência de gado nas áreas investigadas, apesar da intensa movimentação documental.
Segundo as investigações o esquema era comandado por um traficante que atuava de dentro de um presídio, com divisão de tarefas entre familiares e terceiros, responsáveis pela movimentação financeira, ocultação patrimonial e emissão de documentos.
Somente cinco integrantes do núcleo principal movimentaram cerca de R$ 24,8 milhões, especialmente nos últimos dois anos. Parte dos valores foi direcionada a plataformas de apostas, inclusive fora do Estado, como etapa final de dissimulação dos recursos ilícitos.
A apuração dos fatos tramita em sigilo e, assim que houver a publicidade dos autos, novas informações poderão ser divulgadas.
*Sob supervisão de Vitória Hasckel