Obras de ampliação da SC-401 revelam inseguranças de pedestres em Florianópolis
Com o avanço das obras de ampliação da SC-401, que teve início em março deste ano, moradores passaram a relatar dificuldade para se deslocar no local. As reclamações destacam a retirada de pontos de ônibus e travessias que estariam expondo a população ao risco em um dos trechos mais movimentados de Florianópolis.
As obras começaram em 17 de março de 2025 e fazem parte do projeto de Melhoramento com Aumento de Capacidade, que prevê a triplicação de um trecho de 6,5 quilômetros, entre o km 12 e o km 19, ligando o bairro João Paulo ao Caminho dos Açores. O objetivo da ação é reduzir congestionamentos na rodovia estadual mais movimentada de Santa Catarina.
Insegurança e medo de pedestres
Enquanto a ampliação avança, trabalhadores da região afirmam que a mobilidade piorou. Com a retirada de pontos de ônibus e a falta de calçadas em alguns trechos, o deslocamento se tornou perigoso.
— O acesso ao ponto de ônibus se tornou extremamente precário. O ponto, que já havia sido deslocado para uma distância considerável, agora foi reposicionado ainda mais longe, no sentido Centro /Norte, sem qualquer estrutura de proteção ou condições seguras de travessia — relatou Vanessa, que trabalha em um centro empresarial que fica às margens da rodovia.
Com previsão de chuvas mais frequentes durante a primavera, os abrigos protegem os passageiros da exposição ao tempo, garantindo uma espera mais confortável.
Além disso, sinalização e iluminação adequada aumentam a sensação de segurança dos usuários, especialmente durante a noite.
— Em dias de chuva é um show de horror, somos forçados a escolher entre andar pela pista, em meio aos carros, ou por caminhos improvisados e perigosos — destacou a mulher.
Conforme informou a Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade, a mudança nos locais dos pontos de ônibus e a falta dos abrigos acontece devido às obras que ocorrem nas marginais. Entretanto, seguem as normas determinadas por lei.
Porém, conforme denúncias, a falta de placas de parada para ônibus claras e visíveis também afeta a operação de motoristas.
— Temos que ir por um caminho que montaram de madeira ou pela via mesmo. Como não tem um ponto de ônibus de fato, tem motorista que entra na marginal e outros param literalmente na via —continua a trabalhadora, Vanessa.
Ciclistas também evitam o trecho, por considerarem o trânsito arriscado e sem estrutura:
— A situação tá lamentável. Eu sou ciclista e tenho evitado esse trecho. Eu fico imaginando para quem tem alguma deficiência ou dificuldade de mobilidade, deve ser ainda pior — comenta o homem.





O que diz o governo
A Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade (SIE) informou que as calçadas e os pontos de ônibus estão sendo reconstruídos à medida que as interferências com redes elétricas, de esgoto e propriedades vizinhas são resolvidas.
— É uma obra complexa e delicada, que avança rapidamente, mas exige ajustes constantes — informou o órgão, destacando que a fiscalização acompanha a execução diariamente.
Segundo a pasta, a sinalização segue as normas legais e pode ser reforçada conforme a necessidade. A secretaria reconhece o desconforto, mas afirma que o impacto é temporário.
— Não tem como fazer uma obra desse porte sem causar transtornos. É uma fase de transição, e pedimos compreensão da população. Assim que tudo for concluído, os pontos de ônibus e calçadas serão restabelecidos — destacou a SIE.
A expectativa é que parte significativa das intervenções seja entregue antes da temporada de verão, com melhorias na fluidez do trânsito e mais segurança para motoristas, ciclistas e pedestres.
Quando concluída, a SC-401 contará com nova estrutura viária, ciclofaixa, vias marginais e calçadas em toda a extensão do trecho em obras.
O que mudará com o projeto
O projeto inclui a construção de três faixas por sentido, vias marginais com pista dupla nos dois lados da rodovia, cerca de 6,2 quilômetros de ciclovia e novas calçadas. Também estão previstas três passarelas para pedestres, além da revitalização de cinco interseções, com implantação de viadutos e rotatórias para melhorar o acesso aos bairros próximos.
Atualmente, a Secretaria de Estado da Infraestrutura (SIE) aponta que cerca de 35% da obra está concluída.
O trecho da subida do cemitério Jardim da Paz, próximo ao local onde um acidente recente foi registrado, deve ser finalizado até dezembro. A entrega total está prevista para setembro de 2026, fechando 18 meses.