O que se sabe sobre o caso da mãe e padrasto acusados de estuprar criança de 3 anos
A Polícia Civil investiga as suspeitas de estupro de vulnerável contra uma criança de 3 anos em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. A mãe e o padrasto da menina foram presos em flagrante na última quarta-feira (10) e tiveram a prisão preventiva decretada. Nos celulares do casal foram encontrados vídeos e mensagens que indicam o crime.
O caso chegou à polícia depois que um outro homem que mantinha uma relação extraconjugal com a mulher encontrou indícios dos abusos em mensagens no celular dela e fez a denúncia.
De acordo com o boletim de ocorrência, o amante identificou conversas dela com o companheiro contendo vídeos que a mostravam abusando da filha.
Casal foi preso
O casal foi detido pelas autoridades sob a acusação de cometer abusos e registrar vídeos de cunho sexual com a criança.
O padrasto, de 23 anos, foi localizado na residência da família enquanto estava na companhia da menina e de um bebê de quatro meses, seu filho com a mulher. Já a mãe, de 22 anos, foi detida no trabalho.
Ambos foram inicialmente levados para a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Ribeirão Preto. Posteriormente, o padrasto foi transferido para a Cadeia de Santa Rosa de Viterbo, enquanto o local para onde a mãe foi encaminhada não foi divulgado. A Justiça converteu a prisão em flagrante dos suspeitos para preventiva na quinta-feira (11).
O Conselho Tutelar foi mobilizado e, em um primeiro momento, as crianças ficaram com parentes do padrasto, mas depois foram levadas para um abrigo.
O pai da vítima, que reside em Paranapanema, viajou até Ribeirão Preto assim que soube da situação e manifestou o desejo de obter a guarda da filha.
Provas obtidas pela polícia
O inquérito policial tem como base vídeos e mensagens que estavam nos aparelhos celulares dos acusados. O boletim de ocorrência indica que as imagens de atos libidinosos achadas nos telefones confirmam a prática de estupro de vulnerável.
O material apreendido foi confrontado com o apresentado pelo denunciante e será submetido à perícia.
— Essas mensagens foram todas comparadas com as mensagens apresentadas pelo denunciante, as mensagens contidas no celular do autor e as mensagens contidas no celular dela. Com essas provas materiais, a autoridade policial autuou o casal em flagrante delito por quatro delitos graves de cunho sexual — explica Michela Ragazzi, delegada responsável pelo caso.
O casal deve ser responsabilizado por estupro de vulnerável, que, conforme a legislação brasileira, não necessita de conjunção carnal para ser caracterizado, além de divulgação de cenas de sexo e exploração sexual infantil.
O que dizem os suspeitos
Em depoimento, os suspeitos disseram que a prática tinha como objetivo satisfazer as fantasias sexuais deles.
— Eles disseram que essas trocas de mensagens contêm fantasias sexuais realizadas entre eles e que efetivamente eles não expunham a criança a nenhum ato libidinoso ou sexual. Porém, as imagens e as mensagens serão periciadas — disse a delegada, citando os depoimentos.
Ao sair da DDM, o padrasto chamou o caso de “erro” e negou ter abusado sexualmente da menina.
— Foi mais por causa que gostava muito da pessoa. Basicamente por isso. A gente não estuprou uma criança, a gente acabou nem tocando nela. Não está tudo bem, não acho que está tudo bem. Sei que foi um erro gigantesco, mas a única coisa que posso deixar claro é que a gente não tocou na menina, não fez nada sexual com ela, nada do tipo — declarou o homem.
A mãe da menina, por sua vez, manifestou arrependimento ao admitir ter feito ao menos uma das gravações.
— Eu amo a minha filha, não sei o que deu em mim. Um vídeo estragou tudo. Uma coisa ruim que você faz anula todas as coisas boas. Eu mereço tudo o que vier, o que me acontecer, mereço tudo — afirmou a mãe.
Próximos passos da investigação
A Polícia Civil tem 30 dias para finalizar o inquérito. Entre as próximas etapas da investigação estão a oitiva de outros familiares e a análise pericial dos celulares apreendidos.
A polícia também busca estabelecer há quanto tempo os abusos ocorriam e há a suspeita de que a criança era dopada durante a prática dos crimes.
A vítima passará por exames de corpo de delito e receberá atendimentos médicos. A investigação pode solicitar uma escuta especializada, um procedimento judicialmente autorizado que utiliza um psicólogo para ouvir crianças e adolescentes vítimas de violência.
Apesar dos próximos passos, a delegada enfatiza que as provas já angariadas são consistentes.
— A prova material é muito rica, ela já está abrangente. Agora, através da formalização do auto de prisão em flagrante pela Polícia Civil, a Justiça criminal terá todos os elementos para manter os indiciados presos ou soltá-los — concluiu a delegada.
*As informações são do g1.