O que se sabe sobre a jovem que se apresentou como astronauta e enganou até a embaixada dos EUA no Brasil
A brasileira Laysa Peixoto, de 22 anos, viralizou nas redes sociais na última semana após afirmar que foi selecionada como astronauta de carreira e que participaria de uma missão espacial em 2029. A jovem chegou a ser elogiada pela embaixada dos Estados Unidos no Brasil, que publicou um post nas redes sociais, em 2023. As informações são do g1.
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No entanto, uma série de informações divulgadas por Laysa têm sido contestadas por instituições como a própria NASA, universidades citadas por ela e autoridades americanas da área espacial.
Jovem afirmou ser astronauta






Em seus perfis nas redes sociais, Laysa disse ter sido selecionada para integrar a turma de 2025 de astronautas e que participaria do voo inaugural da empresa Titans Space, previsto para 2029. A companhia privada, segundo ela, a teria escolhido para atuar em missões espaciais tripuladas.
Jovem foi elogiada por embaixada dos EUA
Conheça a primeira brasileira mulher a comandar uma equipe da @NASA! Laysa Peixoto (19) participou do pré-evento exclusivo da CCXP23 Unlock e ressaltou a necessidade de mais representação feminina na astronomia e astrofísica. Leia mais: https://t.co/uiij9dMJ6epic.twitter.com/DAnW2TLv5Q
— Embaixada EUA Brasil (@EmbaixadaEUA) December 20, 2023
Por meio de nota enviada ao g1, a NASA negou qualquer vínculo com a brasileira e informou que ela não está entre os 10 candidatos a astronauta atualmente em formação pela agência. A própria NASA também esclareceu que a formação para astronautas exige, no mínimo, mestrado em áreas como engenharia ou ciências exatas, além de dois anos de experiência profissional e aprovação em rigorosos testes físicos.
Empresa não tem autorização para voos espaciais
A Titans Space, empresa mencionada por Laysa como responsável pelo voo que a levaria ao espaço, não possui licença para realizar voos espaciais tripulados, segundo informou a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA).
Apesar de ter confirmado que Laysa foi aceita como “candidata a astronauta”, a empresa não esclareceu se ela pagou pela vaga. O site da Titans Space oferece pacotes para “turismo espacial” com valores a partir de US$ 1 milhão, mas o nome da jovem não aparece na lista oficial da equipe técnica da missão de 2029.
Universidade americana nega vínculo
Laysa também afirmou cursar um mestrado na Universidade Columbia, em Nova York, mas a instituição declarou que não há nenhum registro em nome dela nos cursos da universidade.
Já a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde ela dizia estudar física, informou que Laysa foi desligada do curso após não realizar matrícula para o segundo semestre de 2023.
Além disso, a jovem havia publicado nas redes sociais, em 2022, que havia concluído um “treinamento de astronauta pela NASA”. Na época, ela chegou a divulgar fotos usando um capacete com a logomarca da agência espacial. No entanto, foi constatado que a mesma imagem havia sido publicada em outra rede sem o símbolo, o que indica possível edição.
A própria NASA reiterou que o curso feito por Laysa ocorreu no U.S. Space & Rocket Center, um museu espacial no Alabama que oferece programas educacionais pagos, sem qualquer vínculo com a formação oficial de astronautas.
Jovem desativou redes após repercussão
Após repercussão, a jovem desativou sua conta no LinkedIn, onde mantinha informações agora contestadas, como a suposta matrícula em Columbia e seu status como astronauta em formação.
A assessoria de Laysa enviou nota afirmando que ela participou de um programa educacional voltado a jovens estudantes na área aeroespacial e que “nunca afirmou ser funcionária da NASA”. O texto também diz que seu nome não consta no site da Titans Space por conta de uma “atualização pendente” e confirma que ela está atualmente matriculada no Manhattan College, nos Estados Unidos.
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