O que levou Bolsonaro a ser preso preventivamente
A prisão preventiva de Jair Bolsonaro, realizada na manhã deste sábado (22) pela Polícia Federal (PF) em Brasília, foi uma medida para garantir a ordem pública, segundo o Supremo Tribunal Federal (STF). O caso, que não tem relação com a condenação pela tentativa de golpe de Estado, ganhou o desfecho após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) convocar uma vigília na porta do condomínio onde o ex-presidente mora.
Bolsonaro foi detido por volta das 6h e, segundo informações, reagiu com tranquilidade ao cumprimento do mandado. Michelle Bolsonaro não estava em casa no momento da abordagem.
O comboio com o ex-presidente chegou à sede da Polícia Federal às 6h35, onde foram realizados os primeiros procedimentos antes da transferência para a Superintendência da PF no Distrito Federal, onde ele permanecerá em uma Sala de Estado, espaço reservado a autoridades.





Prisão preventiva de Bolsonaro
De acordo com informações apuradas pelo g1, a ordem do STF foi motivada pelo entendimento de que a vigília traria risco e “indica a possível tentativa de utilização de apoiadores” de Bolsonaro para “obstruir a fiscalização das medidas cautelares e da prisão domiciliar” da qual o ex-presidente era alvo.
Na decisão de Moraes, o ministro escreve que, embora o ato tenha sido apresentado como uma vigília pela saúde do ex-presidente, “a conduta indica a repetição do modus operandi da organização criminosa liderada pelo referido réu”, com o uso de manifestações para obter “vantagens pessoais” e “causar tumulto”.
Em despacho, o ministro do STF determinou que a prisão fosse realizada “sem a utilização de algemas e sem qualquer exposição midiática” e “com todo respeito à dignidade”.
A prisão é preventiva, o que significa que não há prazo definido para terminar. Também não tem relação direta com a condenação pela tentativa de golpe, já que o processo ainda não transitou em julgado e segue com possibilidade de recursos.
Tentativa de violação da tornozeleira eletrônica de Bolsonaro
A decisão sobre a prisão preventiva de Bolsonaro foi embasada, segundo documento de Alexandre de Moraes, na tentativa de violação da tornozeleira eletrônica.
O ex-presidente teria tentado romper o equipamento de monitoramento eletrônico por volta da meia-noite.
“O Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal comunicou a esta Suprema Corte a ocorrência de violação do equipamento de monitoramento eletrônico do réu Jair Messias Bolsonaro, às 0h08min do dia 22/11/2025. A informação constata a intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga, facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho”, citou Moraes na alegação.
O que diz defesa de Bolsonaro
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que a prisão preventiva causa “profunda perplexidade”. Eles argumentam que o direito de reunião e liberdade religiosa é garantido pela Constituição.
“A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada na manhã de hoje, causa profunda perplexidade, principalmente porque, conforme demonstra a cronologia dos fatos, está calcada em uma vigília de orações”, diz a nota.
Os advogados afirmam ainda que o político estava em casa, usando tornozeleira eletrônica e sob monitoramento policial, o que, segundo eles, afastaria o risco de fuga apontado por Moraes.
*As informações são do g1 e Estadão.