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O que acontece em 369 segundos? Exposição em Florianópolis desvenda a intimidade do modelo vivo

Com desenhos, vídeos e sessões abertas ao público, os artistas Gabi Magnani e Lesse Pierre exploram a relação entre quem posa e quem registra na Galeria Lama
07/04/2026 - 07:00
(Foto: Divulgação)

O tempo de um olhar, o peso de uma postura e a urgência de registrar o efêmero. A partir desta quarta-feira (8), a Galeria Lama, no Centro de Florianópolis recebe a exposição “369 Segundos”. Assinada pelos artistas Gabi Magnani e Lesse Pierre, a mostra mergulha no universo das sessões de modelo vivo, onde o cronômetro dita o ritmo da arte.

O título da exposição é uma referência direta à prática: 6 minutos e 9 segundos é a duração média dedicada a cada pose nas sessões mediadas por Lesse. Segundo os artistas, esses 360 segundos de “rodada” — acrescidos de 9 segundos para o último retoque — são o intervalo exato onde o julgamento dá lugar à intuição.

O encontro na “arena”

Diferente de uma exposição estática, “369 Segundos” propõe uma imersão no processo. O público encontrará desenhos em formato A3, um mural de grande escala no palco principal, instalações com textos, vídeos e fotografias. O conceito central nasce da configuração em “arena”, onde o modelo ocupa o centro da sala e os desenhistas orbitam ao redor, projetando no papel não apenas o que veem, mas o que sentem.

Segundo Lesse, a exposição fala sobre ver o outro e se mostrar ao outro. “É no gesto do desenho que nos encontramos e o resultado desse encontro fica impresso: não é ela nem eu, somos os dois. Sem modelo, não há desenho; sem a intenção de desenhar, também não há desenho”, completa o artista e educador, que já passou por instituições como o MAM-SP e a UFSC.

Para Gabi Magnani, atriz cuja trajetória inclui o Festival de Cannes, o foco está na entrega do corpo como ferramenta narrativa. Ela explica que a imobilidade do modelo é carregada de intenção, enquanto o desenhista captura fragmentos dessa presença sob ângulos distintos.

Programação e interatividade

Um dos diferenciais da mostra é a abertura para a participação da comunidade. Ao longo do período expositivo, que segue até 9 de maio, serão realizadas:

A Galeria Lama, conhecida por fomentar discussões contemporâneas na Capital, possui dois acessos (Rua João Pinto e Rua Antônio Luz). A entrada para a exposição é gratuita.

Serviço:

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