Namorada de jovem que matou os pais e o irmão também planejava o assassinato de familiares; entenda
A Polícia Civil revelou que a adolescente de 15 anos apreendida em Água Boa (MT) também planejava matar os próprios pais e teve papel determinante no assassinato da família do namorado virtual, um garoto de 14 anos, ocorrido em Itaperuna (RJ). O crime aconteceu no dia 21 de junho.
Segundo os investigadores, os dois adolescentes mantinham um relacionamento à distância e se conheceram há cerca de seis anos por meio de um jogo online. As investigações apontam que a jovem foi uma “grande incentivadora” do triplo homicídio e também pretendia matar os próprios pais para poder viver com o namorado. A motivação principal, de acordo com a polícia, era a resistência das famílias ao relacionamento dos dois.
Envolvimento da adolescente no crime
A adolescente foi apreendida na segunda-feira (30), após ser ouvida na última quinta-feira (26). Segundo o delegado Matheus Soares Augusto, responsável pelo caso em Mato Grosso, o casal planejava se encontrar e, após isso, assassinar os pais da jovem.
— Pelo conteúdo das conversas, o plano era que, depois de se unirem em Mato Grosso, matariam os pais da adolescente. O objetivo final era eliminar qualquer pessoa que os impedisse de ficar juntos — explicou o delegado.
A polícia afirma ainda que, mesmo após o crime, os dois continuaram trocando mensagens amorosas e fazendo brincadeiras. Em uma das conversas encontradas no notebook da jovem, ela escreve: “Nunca pensei que alguém faria isso por mim”.
Namorado matou pais e irmão





O garoto de 14 anos confessou ter matado o pai, a mãe e o irmão de 3 anos na casa da família, em Itaperuna (RJ). De acordo com a Polícia Civil, ele esperou os pais dormirem, pegou uma arma escondida debaixo da cama, registrada em nome do pai, e atirou nas vítimas.
Os corpos foram encontrados no dia 25 de junho após vizinhos sentirem um forte odor vindo da residência.
Segundo o delegado Carlos Augusto Guimarães, da 143ª DP de Itaperuna, o adolescente demonstrou frieza durante o depoimento e chegou a afirmar que “faria tudo de novo”.
Ainda de acordo com a polícia, o crime teve dois principais motivadores: a proibição do relacionamento virtual por parte dos pais do garoto e o desejo de usar R$ 33 mil do FGTS do pai para viajar até Mato Grosso e encontrar a namorada.
Casal consumia conteúdo violento nas redes sociais
As autoridades também analisaram os perfis dos adolescentes nas redes sociais e encontraram indícios de apologia à violência. De acordo com o delegado Guimarães, o casal fazia referências a um jogo online banido na Austrália, que retrata irmãos que vivem um relacionamento codependente e cometem crimes juntos.
Apesar de não jogarem o game, eles assistiam a vídeos sobre ele no YouTube. Nas conversas, os adolescentes se referiam às vítimas como personagens desse universo fictício.
— Ela foi partícipe ativa. Planejou, incentivou e chegou a fazer chantagens emocionais para que o garoto executasse os crimes — afirmou o delegado.
“Atira nela agora”
A Polícia Civil também divulgou trechos das conversas entre os adolescentes. Em um deles, o garoto envia uma foto da cena do crime com os corpos dos pais e do irmão. A jovem responde demonstrando “nojo” da imagem e se queixa por ele estar “online” sem responder às mensagens. Em outro momento, ele envia um áudio dizendo “matei meu pai”, e ela responde: “atira nela agora”, referindo-se à mãe do garoto.
Os dois ainda discutiram formas de disfarçar o crime, cogitando colocar a arma na mão do irmão mais novo para simular um acidente ou até mesmo dar os corpos para porcos. Também falaram em matar a avó, mas desistiram com receio de levantar suspeitas.
Medidas judiciais
A adolescente está apreendida desde a noite de segunda-feira (30) na Delegacia de Água Boa e permanece à disposição da Justiça. O garoto foi apreendido em flagrante e está internado no Centro de Socioeducação (CENSE) de São Fidélis, no interior do Rio de Janeiro. Ele deve responder por ato infracional análogo a triplo homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
A mãe da jovem declarou à polícia que a filha é “exemplar”, tem boas notas e sempre a acompanha em todas as atividades. A investigação agora busca esclarecer se houve omissão ou desconhecimento por parte dos responsáveis.
O caso segue sendo investigado pelas polícias civis de Mato Grosso e do Rio de Janeiro.
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