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Murais históricos de Antonieta de Barros e Franklin Cascaes voltam ao Centro de Florianópolis

Os paines de arte fazem parte da história da cidade, mas foram apagados em 2024 por conta de uma reforma estrutural no prédio.
06/05/2025 - 11:02 - Atualizada em: 06/05/2025 - 11:02

A paisagem do centro de Florianópolis volta a ser marcada pela presença de dois personagens fundamentais da cultura e da história local. Os murais históricos dedicados à Antonieta de Barros e Franklin Cascaes voltarão ao Edifício Atlas, na Rua Tenente Silveira, até o fim de maio.

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As obras anteriores, de 2017 e 2020 respectivamente, foram removidas devido a reformas estruturais no prédio por conta de infiltrações. Novos artistas convidados são os responsáveis por recriar as obras de 34 metros de altura cada.

Como são os novos painéis?

Agora, os painéis retornam com uma proposta renovada, estética e simbolicamente ampliada. A curadoria e execução é dos artistas Thiago Valdi e Monique Cavalcanti, conhecida como Gugie.

A ideia da nova versão vai além da restauração: é recriar artisiticamente com novos elementos visuais e educativos. Os murais retratam novamente os rostos de Franklin Cascaes e Antonieta de Barros, acompanhados de ícones que representam suas contribuições para a cultura, a educação e a identidade de Florianópolis.

— A história dela nos traz essa inspiração de nos sentirmos fortes para seguir nosso caminho, para fazer as coisas que desejamos, para que nós, mulheres, ocupemos mais espaços. Então, ela mesma me aconselhou, de certa forma, a fazer essa pintura ali. Acho isso muito especial. Mudou totalmente a minha vida também — afirma a artista.

A nova versão dos murais, que deve ser finalizada ainda neste mês de maio, é viabilizada por meio de recursos da iniciativa privada. Em 2020, o mural de Antonieta de Barros, também foi financiado inteiramente com recursos privados; já o mural de Franklin Cascaes, realizado em 2017 utilizou recursos da lei municipal de incentivo à cultura.

Os murais em números

Além do valor simbólico e cultural, os murais do Edifício ocupam lugar de destaque na história da arte urbana em Florianópolis: eles foram os primeiros grafites de grande porte na capital e também os únicos no sul do Brasil a ocuparem uma mesma estrutura com dois grandes painéis simultâneos — um em cada lateral do prédio.

Cada um dos murais tem 34 metros de altura e exige mais de 300 litros de tinta. A equipe responsável por recria-los conta com 20 pessoas envolvidas desde a produção até a finalização do trabalho somando cerca de 200 horas de dedicação.

Para o artista e um dos responsáveis pela recriação, Valdi, esse é um resgate da história local:

— Muita gente se comoveu ao ver os murais apagados, porque essas imagens passaram a fazer parte do cotidiano, da paisagem e do imaginário cultural de Florianópolis. Essa foi uma grande articulação coletiva que movimentou a cidade — completa.

Veja imagens do mural antigo e da recriação

Por que os painéis foram apagados?

Em março de 2024, o prédio na rua Tenente Silveira que abriga os murais de Antonieta de Barros e Franklin Cascaes passou por obras estruturais, apagando os painéis.

O local apresentava alguns problemas, principalmente referente a infiltrações, e por isso foi necessário dar início à reforma, que apagou a pintura.

O apagamento chamou atenção de quem circula pelo Centro da cidade, já que a região se tornou conhecida por ser uma galeria de arte a céu aberto atraindo turistas e moradores de todos os tipos para fotografar e apreciar o espaço.

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