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MP denuncia 164 suspeitos ligados ao PCC e pede R$ 200 mil para cada um após megaoperação em SC

MP pede indenização mínima de R$ 200 mil por denunciado
20/08/2026 - 10:21 - Atualizada em: 20/08/2026 - 10:21

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou, na quarta-feira (19), 164 suspeitos apontados como integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). A denúncia é um desdobramento da Operação Coluna Sul, deflagrada no início de julho em seis estados e considerada a maior ação da história do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) catarinense. 

Além das acusações criminais, o Ministério Público solicitou à Justiça a fixação de uma indenização mínima de R$ 200 mil para cada denunciado. O valor seria destinado à reparação de danos morais coletivos atribuídos às atividades da organização criminosa. 

A ação foi apresentada pela 39ª Promotoria de Justiça da Capital. A operação cumpriu mais de 320 ordens judiciais, entre elas 151 mandados de prisão temporárias. As medidas foram realizadas em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais  e Mato Grosso do Sul. Durante a operação, foram apreendidos celulares, armas, munições, drogas e documentos. 

Denúncia tem mais de 1,5 mil páginas

O documento apresentado pelo MP tem mais de 1.500 páginas e foi dividido em 27 capítulos. O órgão também pediu que o processo seja separado em 23 ações penais, com o objetivo de facilitar a tramitação dos casos e analisar individualmente a participação de cada investigado. 

Segundo a denúncia, os 164 suspeitos estariam distribuídos em 12 núcleos da organização, de acordo com as funções exercidas. Desse total, 31 seriam integrantes de níveis superiores de comando. Outros 74 teriam desempenhado funções intermediárias, relacionadas à coordenação, disciplina e gestão operacional. Já 60 estariam na base da estrutura. 

Todos foram denunciados por suposta promoção ou integração de organização criminosa ultraviolenta, conforme a Lei nº 15.358/2026. Além disso, 21 pessoas também são acusadas de tráfico de drogas e três foram denunciadas por comércio ilegal de armas de fogo. 

Estrutura atuava em diferentes estados

De acordo com o Ministério Público, a chamada “Coluna Sul” era responsável por coordenar atividades da facção em Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. 

A denúncia aponta uma estrutura com divisão de funções e setores específicos para atividades como recrutamento, comunicação, controle disciplinar, administração financeira, logística de armamentos e articulação entre integrantes que estavam em liberdade e pessoas custodiadas no sistema prisional. 

Adolescentes eram recrutados

O documento também relata o envolvimento de adolescentes na estrutura da organização. Conforme a denúncia, havia procedimentos específicos para o ingresso de jovens, chamados de “batismos”, realizados a partir dos 16 anos. 

Outro ponto descrito pelo Ministério Público é a existência de um sistema próprio para o controle de armas. Segundo a investigação, integrantes eram responsáveis pela compra, cadastro, armazenamento, manutenção e distribuição do armamento entre membros da facção.

A denúncia afirma ainda que equipamentos de air-soft eram modificados para que pudessem ser utilizados como armas de fogo.

*Sob supervisão de Vitória Hasckel

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