Mortes por câncer de pele na Grande Florianópolis crescem mais de 13% em 2025
A região da Grande Florianópolis já registrou 74 mortes por câncer de pele em 2025, maior número dos últimos três anos e acima dos 65 óbitos de 2024. Os dados da Secretaria de Estado da Saúde acendem um alerta às vésperas do verão, período de maior exposição solar.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES), Santa Catarina segue como o estado com maior incidência de melanoma, o tipo mais grave, e Florianópolis é a terceira cidade brasileira com mais casos de câncer de pele não melanoma.
Ao todo, em 2025, foram contabilizados 353 óbitos por câncer de pele: 161 por melanoma e 192 por não melanoma. Os dados estão atualizados até a data da publicação desta matéria.
A dermatologista catarinense e presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional Santa Catarina (SBD-SC), Dra. Mariana Sens, afirma que a tendência preocupa.
— A maioria dos casos de câncer de pele tem cura quando diagnosticada precocemente. O problema é que ainda vemos muitos pacientes chegarem ao consultório com lesões avançadas porque subestimaram os sinais iniciais — afirma a médica.





Quais os sintomas do câncer de pele
Segundo a dermatologista, reconhecer alterações na pele é fundamental para evitar atrasos no diagnóstico. Entre os sinais de alerta estão feridas que não cicatrizam, pintas que mudam de cor ou formato e sintomas identificados pela regra ABCDE do melanoma.
— Uma lesão que sangra, que forma casquinhas frequentes ou que cresce ao longo do tempo precisa ser avaliada rapidamente. A pele dá pistas e o desafio é não ignorá-las — orienta Mariana.
O diagnóstico para o câncer de pele é realizado em consulta dermatológica, podendo incluir biópsia e exames complementares. Pacientes de alto risco que usam do mapeamento corporal digital, que documenta a pele com imagens de alta resolução, tem benefícios no diagnóstico.
— Esse acompanhamento permite identificar mudanças sutis que nem sempre são perceptíveis a olho nu. Em pessoas com muitas pintas, histórico familiar ou pele muito clara, o mapeamento é um recurso extremamente valioso — afirma.
O que é o método ABCDE
O método ABCDE continua sendo referência na avaliação de pintas e consiste em analisar:
- Assimetria
- Bordas irregulares
- Cores variadas
- Diâmetro maior que 6 milímetros
- Evolução da lesão
Busca por tratamento no CEPON
No Centro de Pesquisas Oncológicas (CEPON), 1.108 consultas relacionadas ao câncer de pele foram registradas de janeiro a novembro de 2025, o que mostra uma alta demanda na avaliação recomendada por especialistas.
Ivone Dutra Martins, de 59 anos, paciente atendida na unidade, já retirou três tumores e reforça a importância do autocuidado.
— Um sinal que sangra ou que coça não pode ser ignorado. Observar o corpo muda tudo.
Como é o tratamento do câncer de pele
O tratamento do câncer de pele varia conforme o tipo e o estágio do tumor. A cirurgia é a principal abordagem, incluindo técnicas específicas como a cirurgia de Mohs em casos de maior complexidade. Terapias sistêmicas podem ser necessárias em doenças avançadas.
A exposição solar acumulada ao longo da vida segue como o principal fator de risco. O perigo aumenta no verão, quando horários de lazer e atividades ao ar livre se concentram nos períodos de maior radiação.
— Evitar o sol entre 9h e 15h, usar chapéu de aba larga e aplicar protetor solar adequadamente não são detalhes, mas medidas de proteção fundamentais. A proteção precisa fazer parte da rotina diária, não apenas da ida à praia — explica a dermatologista Dra. Mariana Sens.
A dermatologista reforça que trabalhadores expostos ao sol, como pescadores, agricultores, profissionais da construção civil e garis, necessitam “utilizar roupas com proteção UV e pausas na sombra”.
— A prevenção é a melhor estratégia. O sol faz parte da nossa rotina, mas a forma como nos relacionamos com ele precisa mudar. Educação desde a infância é o caminho para reduzir esses números no futuro.