Início » CBN Floripa » Cotidiano

Moradores protestam contra demolição de casas centenárias na Praia do Forte em Florianópolis

Justiça determinou demolição em até 72 horas
24/04/2025 - 11:13 - Atualizada em: 24/04/2025 - 11:13
Moradores protestaram contra a demolição - (Foto divulgaçãoRedes sociais)

Moradores da Praia do Forte, no Norte da Ilha, protestaram na manhã desta quinta-feira (24) contra a determinação de demolição de oito casas localizadas nas proximidades da Fortaleza de São José da Ponta Grossa. A manifestação ocorreu na praça de pedágio desativada da SC-401. 

Clique aqui para receber as notícias da CBN Floripa pelo Canal do WhatsApp

A comunidade afirma que algumas famílias vivem na área há mais de um século, sendo parte da história e da cultura da região. O conflito judicial, no entanto, se arrasta desde 1991, quando a União iniciou um processo de reintegração de posse. Após mais de 40 anos de disputas, a Justiça Federal estipulou que as casas sejam demolidas em até 72 horas, após o fracasso de uma tentativa de conciliação.

— Enquanto o discurso deles celebra a arquitetura e o paisagismo das fortificações, ignora as vidas que historicamente cuidaram desses territórios. Não somos ocupantes irregulares, somos a alma viva de uma história que merece ser contada — afirmou um dos moradores pelas redes sociais.

Entenda o conflito

A área onde estão as residências é tombada e administrada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O local, fica ao lado de Jurerê Internacional, uma das regiões de maior valorização imobiliária do Brasil.

Segundo a comunidade, os primeiros antepassados chegaram à Praia do Forte há cerca de 150 anos. No entanto, a disputa judicial começou oficialmente em 1991, quando a União pediu a reintegração de posse da área. Desde então, o processo se arrasta entre tentativas de acordo, ordens de despejo e resistência dos moradores.

Em meio à disputa, o Iphan contratou uma empresa para realizar obras de restauração e acessibilidade na fortaleza, mas parte dos trabalhos foi prejudicada pela presença das moradias, segundo o órgão. A obra foi entregue em 2023, mas o impasse sobre as casas permaneceu.

Manifestações ao decorrer do ano

Resistência dos moradores

Em fevereiro deste ano, a comunidade já havia enfrentado a possibilidade de despejo, mas conseguiu adiar a ação. Agora, com a nova decisão da Justiça, a expectativa é que a remoção ocorra ainda nesta sexta-feira (25), caso não haja nova reviravolta no processo.

— Seguimos firmes. Pela permanência. Pela justiça. Pela memória viva da Praia do Forte e de São José da Ponta Grossa — reforça um dos manifestantes

Leia mais

Vídeo mostra ação policial na prisão de facção criminosa na Grande Florianópolis

Queda de mulher em bueiro no Centro de Florianópolis levanta questões: tem indenização?

Destaques CBN