Moradores protestam contra demolição de casas centenárias na Praia do Forte em Florianópolis
Moradores da Praia do Forte, no Norte da Ilha, protestaram na manhã desta quinta-feira (24) contra a determinação de demolição de oito casas localizadas nas proximidades da Fortaleza de São José da Ponta Grossa. A manifestação ocorreu na praça de pedágio desativada da SC-401.
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A comunidade afirma que algumas famílias vivem na área há mais de um século, sendo parte da história e da cultura da região. O conflito judicial, no entanto, se arrasta desde 1991, quando a União iniciou um processo de reintegração de posse. Após mais de 40 anos de disputas, a Justiça Federal estipulou que as casas sejam demolidas em até 72 horas, após o fracasso de uma tentativa de conciliação.
— Enquanto o discurso deles celebra a arquitetura e o paisagismo das fortificações, ignora as vidas que historicamente cuidaram desses territórios. Não somos ocupantes irregulares, somos a alma viva de uma história que merece ser contada — afirmou um dos moradores pelas redes sociais.
Entenda o conflito
A área onde estão as residências é tombada e administrada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O local, fica ao lado de Jurerê Internacional, uma das regiões de maior valorização imobiliária do Brasil.
Segundo a comunidade, os primeiros antepassados chegaram à Praia do Forte há cerca de 150 anos. No entanto, a disputa judicial começou oficialmente em 1991, quando a União pediu a reintegração de posse da área. Desde então, o processo se arrasta entre tentativas de acordo, ordens de despejo e resistência dos moradores.
Em meio à disputa, o Iphan contratou uma empresa para realizar obras de restauração e acessibilidade na fortaleza, mas parte dos trabalhos foi prejudicada pela presença das moradias, segundo o órgão. A obra foi entregue em 2023, mas o impasse sobre as casas permaneceu.
Manifestações ao decorrer do ano





Resistência dos moradores
Em fevereiro deste ano, a comunidade já havia enfrentado a possibilidade de despejo, mas conseguiu adiar a ação. Agora, com a nova decisão da Justiça, a expectativa é que a remoção ocorra ainda nesta sexta-feira (25), caso não haja nova reviravolta no processo.
— Seguimos firmes. Pela permanência. Pela justiça. Pela memória viva da Praia do Forte e de São José da Ponta Grossa — reforça um dos manifestantes
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