“Minha segunda casa”: Pescaria tradicional opera desde os anos 1950 em Florianópolis; veja fotos
Localizada no boxe 27 do Mercado Público, uma pescaria opera desde a década de 1950 em Florianópolis. O negócio passou de pai para filho e hoje se concretizou como um dos estabelecimentos mais tradicionais da capital catarinense. Essa é a Pescaria Marcelo do Chico.
A história começa nos anos 1950. Na época, o jovem Francisco Marquinhos Jaques, mais conhecido como Chico Peixeiro, começou a ter gosto pelo comércio. Chico passeava pelo Mercado Público, na época em que o mar ainda batia nos fundos do lugar, quando teve a ideia de começar a vender frutas e verduras.
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No começo, o jovem comerciante trazia os produtos do bairro Costeira do Pirajubaé até o Centro de Florianópolis. Mas com o passar do tempo, Chico começou a estabelecer contatos e fortalecer amizades no Mercado Público, conseguindo se destacar no ramo.
Na época, o lugar não possuía bancas estabelecidas. Quem chegasse mais cedo no Mercado Público tinha prioridade na escolha, e podia pegar os melhores ambientes. Assim, com suas novas amizades, Chico passou a criar uma paixão com o comércio de peixes.
O início da pescaria
— Meu pai sempre foi muito falante, sempre foi muito trabalhador. Ele começou a pegar os pescados para poder vender e foi pegando o gosto. Comprava os peixes nas baleeiras que vinham da Armação e do Pântano do Sul — relata Marcelo Jaques, filho de Chico.
Durante esses anos iniciais, o Mercado Público não possuía frigoríficos. Ou seja, o comércio funcionava, em sua maioria, das 6h às 13h. O movimento era tanto, segundo Marcelo, que o local já lotava poucos momentos após sua abertura.
— Na época não havia tanta concorrência fora do Mercado. Se sobrasse muito peixe, o fiscal passava com a creolina e outros desinfetantes em cima, porque não tinha gelo naquela época e não podia ser vendido no dia seguinte — completa Marcelo.
Reformas e mudanças
Com o passar do tempo, o Mercado Público passou a designar boxes para os comerciantes. Assim, a peixaria conquistou seu precioso lugar no coração da capital catarinense, e ficou por mais 50 anos e contando.
Chico casou e teve nove filhos: seis homens e três mulheres. Os novos integrantes da família logo começaram a frequentar a peixaria, com destaque para os seis homens que trabalham com peixe até hoje.
Entretanto, as mudanças no cenário e a idade começaram a afastar Chico de seu tradicional comércio. Aos poucos os filhos foram a participando cada vez mais, um dia ali, outro aqui e o comércio se tornou totalmente deles. Chico havia se aposentado.
Novos rumos na pescaria
Com a aposentadoria de Chico, seu filho Marcelo passou a comandar o estabelecimento. Casado e pai de três meninas, o filho de uma das figuras mais conhecidas do Mercado também encontrou no boxe seu lugar no mundo.
— Eu também sou um apaixonado pelo Mercado Público, porque ali igual meu pai, eu crio a minha família, sustento a minha família, minhas três filhas. O mercado para mim é uma segunda casa, porque só está faltando a cama — conta Marcelo.
Atualmente, a Pescaria Marcelo do Chico leva o nome de suas duas figuras centrais. Pai e filho que construíram uma história juntos no coração de Florianópolis. Hoje, a tradição segue para as filhas de Marcelo: Luísa, Júlia e Marcela, que frequentam o comércio.
Uma saudade: Chico Peixeiro
Chico faleceu em 2012, em decorrência de um câncer no pulmão. Sua morte foi amplamente divulgada nos jornais tradicionais de Florianópolis. Mas a memória de Chico segue nas história da cidade, como relembra Marcelo.
— Em dias de clássico era uma loucura só. Meu pai era avaiano e prometia pro jogador do Avaí que se fizesse um gol e dava dois quilos de camarão. Naquele ano, por ventura, o Toninho Quintino fez 19 gols. Aí meu pai disse, olha, pelo amor de Deus, chega, não precisa fazer mais gol, que eu não vou dar mais camarão — conta.
Ainda segundo Marcelo, atualmente o Mercado Público enfrenta muita concorrência, em razão do alto número de pescarias espalhadas pela cidade. Mas isso serve como um incentivo para “manter a qualidade e um bom atendimento”.
*Sob supervisão de Nicoly Souza