Massacre, invasões e lendas: a história por trás da Ilha de Anhatomirim
A cerca de três quilômetros de Florianópolis, a Ilha de Anhatomirim integra o município de Governador Celso Ramos. Quem enxerga o pedacinho de terra não imagina a história por trás do local, repleta de lendas, golpes e até um massacre; conheça a história.
Por volta de 1740, a Ilha de Anhatomirim recebia a sua primeira construção: a Fortaleza de Santa Cruz. Na época, o país ainda estava sob comando de Portugal, que procurava proteger a Ilha de Santa Catarina de invasões.
No entanto, o sistema defensivo não garantiu a segurança da região. Em 1777, espanhóis atacaram Desterro — a antiga Florianópolis — e acabaram com o incentivo ao prédio.
O que aconteceu com a Fortaleza de Santa Cruz?
Atualmente, a Fortaleza de Santa Cruz é um ponto turístico da região. A base foi oficialmente fechada por volta de 1950, segundo registros da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). No entanto, alguns episódios de sua história se detacam; confira abaixo.





O massacre de Anhatomirim
Por volta de 1890, a antiga fortaleza enfrentava uma abandono cada vez maior. A base já não tinha propósito como no século anterior e se tornava um grande casarão abandonado.
No entanto, com a Proclamação da República e um período turbulento no cotidiano do país, a fortaleza receberia um novo propósto: ela serviu de prisão para revoltosos contra o governo de Floriano Peixoto, segundo presidente do Brasil. Após uma série de julgamentos militares, cerca de 185 pessoas seriam fuziladas na ilha — episódio que ficaria conhecido como Massacre de Anhatomirim.
Curiosidade: a origem do nome Florianópolis
A partir dos fuzilamentos um clima de revolta predominou na antiga Desterro. A pacificação viria com o governo de Hercílio Luz, que homenageou o então presidente, alvo de revoltas catarinenses, com o nome da cidade: “a cidade de Floriano” ou Florianópolis. No entanto, foram anos até a população aceitar a nova nomenclatura.
A lenda de Anhatomirim
As histórias por trás da ilha motivaram muitas lendas dos moradores, entre elas a Árvore dos Enforcados. Relatos antigos indicam que os fuzilados foram mortos enquanto pendurados na planta.
— Embora não se conheça o local exato das execuções, a Árvore dos Enforcados, um velho araçazeiro localizado no lado sudeste da ilha, teria sido, segundo a tradição oral, o local de enforcamento e fuzilamento de dezenas de prisioneiros. Ao contrário do fuzilamento, o enforcamento era considerado uma morte sem honra, destinada a criminosos comuns — explicou o arquiteto Roberto Tonera, especializado na história das fortalezas.
Há relatos de moradores que avistaram sangue escorrendo da árvore, o que contribuiu para a imaginação popular. No entanto, os relatos integram apenas uma das várias lendas que circulam pela Ilha de Anhatomirim.
A Ilha de Anhatomirim
Atualmente, a fortaleza é gerida pela UFSC, que assinou um convenho com o Ministério da Marinha e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ainda em 1979.
A visitação foi liberada em 1984. Desde então, a ilha se tornou um ponto turístico muito visitado tanto por turistas quanto por moradores da região que buscam respostas para as lendas de Anhatomirim.
Como chegar na Ilha de Anhatomirim?
É possível acessar a ilha por meio de passeios de barco ou por barcos particulares. O transporte até as fortalezas não é gratuito, mas o passeio é livre para todas as idades. O horário de visitação é das 8h30min às 18h30min.
*Sob supervisão de Nicoly Souza