Lanternas produzidas por estudantes de Caçador levam mensagem de esperança a crianças com câncer em Florianópolis
Uma viagem de mais de 400 quilômetros vai levar, nesta quarta-feira (19), uma mensagem de esperança a crianças em tratamento contra o câncer em Florianópolis. Estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do SESI de Caçador confeccionaram 190 lanternas que serão entregues a pacientes do Hospital Infantil Joana de Gusmão, às 14h.
A iniciativa começou em março e transformou materiais simples, como potes de conserva, sisal e luzes de LED, em objetos carregados de significado. A inspiração veio de uma tradição tailandesa associada à ideia de deixar para trás períodos difíceis e abrir espaço para novos começos.



A proposta, porém, ganhou um novo sentido neste ano. Em edições anteriores, realizadas em 2024 e 2025, os estudantes lançavam as lanternas no Rio do Peixe como parte de uma atividade de reflexão e superação. Para 2026, a professora Daiane Xumadelo decidiu direcionar o projeto para crianças que enfrentam o tratamento oncológico.
Ao todo, 160 lanternas serão levadas para Florianópolis. As outras 30 ficarão em Caçador e serão destinadas ao Hospital Maice.
Solidariedade foi além das lanternas
O projeto também acabou envolvendo outras pessoas da comunidade. Além dos estudantes, familiares participaram da preparação dos kits e costureiras voluntárias produziram 160 pares de pantufas para acompanhar as doações.
A iniciativa chegou à indústria têxtil Maria Emília por meio de uma estudante da EJA que trabalha na empresa. A partir da ideia, a indústria disponibilizou os materiais para a confecção das pantufas e funcionárias passaram a produzir as peças voluntariamente depois do expediente. O trabalho começou em junho.
A ação reuniu, assim, diferentes etapas de colaboração, enquanto os estudantes ficaram responsáveis pelas lanternas, as costureiras contribuíram com as pantufas e as famílias auxiliaram na montagem dos kits.
Projeto também chama atenção para o meio ambiente
A mudança no destino das lanternas também está relacionada a uma preocupação ambiental. Nas atividades realizadas nos anos anteriores, as peças eram colocadas no Rio do Peixe. Neste ano, os organizadores consideraram que as luzes de LED precisariam ser posteriormente retiradas do rio para evitar impactos ambientais.
A partir disso, a atividade passou a ter como foco a entrega direta às crianças, mantendo o simbolismo das lanternas sem a necessidade de lançá-las na água.
A viagem dos estudantes até Florianópolis representa o encerramento de meses de trabalho. Ao todo, serão percorridos cerca de 412 quilômetros entre Caçador e a Capital para levar os materiais às crianças em tratamento.
Educação de jovens e adultos
O projeto faz parte das atividades desenvolvidas pela EJA do SESI/SC, modalidade voltada a pessoas que não concluíram a educação básica na idade regular. Criada em 1999, a iniciativa já contribuiu para a formação de mais de 100 mil pessoas em Santa Catarina.
Neste ano, a atividade que começou como uma proposta de reflexão sobre momentos difíceis se transformou em uma ação de solidariedade. As lanternas, que antes eram utilizadas em uma atividade simbólica no Rio do Peixe, agora serão entregues a crianças que enfrentam uma fase delicada do tratamento médico.
*Sob supervisão de Vitória Hasckel