Laboratório da JBS em SC foca em proteínas cultivadas e motivou “repatriação de cérebros”
A cadeia de produção de alimentos ganha um novo polo de pesquisa e inovação em Santa Catarina. A JBS inaugurou em abril oJBS Biotech, um centro de biotecnologia avançada instalado no Sapiens Parque, no Norte da Ilha, em Florianópolis. A estrutura de mais de quatro mil metros quadrados e 20 laboratórios tem como principal objetivo o desenvolvimento das chamadas “superproteínas”, além de atuar em frentes como saúde animal e economia circular.
Em entrevista ao programa Conversas Cruzadas, da CBN Floripa, a CEO da JBS Biotech, Fernanda Berti, explicou que o projeto começou há cerca de quatro anos, inicialmente focado apenas na proteína cultivada (a produção a partir de células, sem abate). No entanto, a iniciativa se expandiu para um centro tecnológico muito mais amplo.
Hoje, o local abriga oito projetos paralelos. A engenheira química destaca que a busca por novas proteínas não se resume a criar “produtos análogos a carnes”.
— No final do processo a gente obtém uma biomassa proteica. E essa biomassa pode ser aplicada, por exemplo, em um shake, em barras proteicas ou em outros produtos que venham a incrementar o perfil nutricional. Temos 20 aminoácidos essenciais, mas nós humanos produzimos apenas nove. O objetivo é usar as ferramentas de biotecnologia para produzir proteínas que suplementem o que não conseguimos produzir, garantindo uma melhoria de imunidade e um envelhecimento mais saudável — explicou Fernanda ao Conversas Cruzadas.
A precisão molecular também foi destacada pelo CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, que ressalta o foco na ciência aplicada à indústria. Segundo ele, a meta vai além de produzir um item final: o objetivo central é “desenvolver tecnologia, acelerar provas de conceito e abrir caminhos para futuras aplicações em escala industrial”.





Repatriação de cérebros
Para conduzir pesquisas em áreas complexas — que envolvem desde biologia molecular e fermentação de precisão até sequenciamento genético —, o JBS Biotech apostou na valorização do talento nacional. O centro conta atualmente com 30 pesquisadores altamente qualificados, sendo que 70% deles são cientistas brasileiros que atuavam no exterior (em regiões como Europa, Ásia e Estados Unidos) e foram repatriados.
A escolha por Florianópolis para sediar o complexo foi estratégica para atrair essas “mentes brilhantes”. O ecossistema de inovação da capital, aliado à qualidade de vida e à segurança, pesou na decisão de trazer os profissionais de volta ao Brasil. A expectativa da direção é expandir a equipe para cerca de 50 pesquisadores até o final de 2026.
Aproveitamento total da cadeia
Outro pilar de atuação dos cientistas nos laboratórios do Sapiens Parque é o aprofundamento da economia circular. Os pesquisadores realizam o mapeamento da cadeia produtiva nas plantas operacionais da JBS em busca de oportunidades.
O intuito é utilizar biotecnologia e processos de extração para transformar o que hoje é considerado subproduto e sem valor comercial em bioingredientes de alto valor agregado, atendendo setores não apenas de alimentos, mas também farmacêuticos e de cosméticos. Além disso, o centro atua no desenvolvimento de soluções voltadas para a saúde e o bem-estar animal, visando aumentar a eficiência e reduzir a necessidade de intervenções mais intensivas no campo.
*Sob supervisão de Vitória Hasckel