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Jovem sai de pijama, morre e Google ajuda a resolver o mistério; entenda

Ferramenta da empresa ajudou a traçar movimentação do suspeito e mostrou que ele estava presente na cena do crime
04/12/2025 - 09:29 - Atualizada em: 04/12/2025 - 09:29
Danilo Roger Bido
Caso aconteceu no final de agosto (Foto: Redes sociais, Reprodução)

O Google ajudou a solucionar a investigação da morte de Danilo Roger Bido, encontrado com marcas de facadas em uma estrada no Paraná. O caso aconteceu no dia 31 de agosto em uma estrada rural de Iporã, no noroeste do estado, quando Danilo saiu de casa de pijama durante a madrugada. As informações são do g1.

Segundo a Polícia Civil do Paraná, a ferramenta da empresa permitiu rastrear o percurso de um suspeito e confirmar que ele esteve no local no horário do crime.

Como caso aconteceu

Segundo a polícia, Danilo saiu de casa na madrugada de 31 de agosto. Ele disse à mãe que buscaria um carregador na casa de uma amiga e saiu ainda vestido de pijama.

Algumas horas depois, a vítima foi encontrada em uma área afastada com marcas de 18 facadas pelo corpo, de acordo com o laudo da Polícia Científica.

A investigação do caso contou com 28 depoimentos, em que três amigos de Danilo foram considerados suspeitos e um chegou a ser preso preventivamente em outubro, mas foi solto por falta de provas que o envolviam com o crime.

A partir deste momento, a investigação foi considerada “complexa” pela polícia, pois houve quebras de sigilo, análise de dados armazenados e cruzamento de informações telefônicas.

Como Google entrou na investigação

O ponto de virada ocorreu após a apreensão do celular de Diego Augusto de Lima Santos, de 24 anos, que se tornou alvo das apurações semanas após o crime.

Com autorização judicial, a polícia acessou uma funcionalidade chamada Linha do Tempo, que registra automaticamente trajetos e locais visitados por usuários logados em contas do Google.

Segundo relatório ao qual o g1 teve acesso, o recurso mostrou que Diego percorreu exatamente o mesmo caminho que leva ao local onde Danilo foi assassinado. O registro aponta presença no horário aproximado do crime e retorno imediato para casa logo depois.

“O trajeto registrado é compatível com o percurso que leva ao local do crime, evidenciando que o investigado esteve presencialmente na cena durante o período aproximado dos fatos”, descreve o documento.

Vítima e suspeito trocaram mensagens

Antes de utilizar o rastreamento, a polícia tentou identificar conversas suspeitas no celular de Danilo. Para isso, recriou um chip com o mesmo número e conseguiu acessar aplicativos de mensagens. A partir dessa medida, apareceram registros de diálogos com um perfil desativado, a quem a vítima se referia como “Diego”.

Mesmo com as mensagens apagadas, as respostas enviadas por Danilo apontavam um encontro marcado para a madrugada do crime.

O passo seguinte foi o cruzamento via Estação Rádio Base (ERB), tecnologia que indica quais aparelhos celulares compartilhavam o mesmo sinal na região no momento da morte. O número de Diego apareceu junto ao da vítima, repetindo o deslocamento.

Câmeras registraram encontro

Imagens de segurança captaram Danilo entrando em um carro com um homem, circulando por 20 minutos e seguindo rumo à zona rural às 1h21 do dia 31 de agosto. Exames periciais identificaram impressões digitais de Diego na porta traseira do veículo.

A conclusão levou ao indiciamento por homicídio qualificado, com agravantes como emboscada, meio cruel, motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima, além de fraude processual. Diego está preso desde 5 de novembro e confessou o crime.

O jovem disse aos policiais ter cometido mais três assassinatos. Embora não confirme a tese de “serial killer”, como ele se autodeclarou, a polícia atribuiu a ele outros dois crimes, contra pessoas em situação de rua.

O que dizem as defesas

A família de Danilo afirma que as provas reunidas são “claras” e que vai acompanhar o processo para que o suspeito seja condenado. Já a defesa de Diego apresentou documentos que apontariam diagnóstico de esquizofrenia paranoide, alegando que ele faz tratamento desde 2007.

O caso foi enviado ao Ministério Público do Paraná, que tem cinco dias para decidir se apresenta denúncia.

O que diz advogado da família de Danilo

“A família de Danilo Roger Bido Ferreira, por meio de seu advogado, vem a público manifestar-se após o indiciamento formal de Diego Augusto de Lima Santos pela prática do homicídio que vitimou Danilo, na madrugada de 31 de agosto de 2025, na zona rural de Iporã.

O relatório Knal da Polícia Civil reúne um conjunto robusto de provas — laudos periciais, dados telefônicos, impressões digitais, registros de localização e evidências digitais — todos apontando de forma clara para a participação de Diego no crime.

Diante desse conjunto probatório sólido, o investigado foi indiciado pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe, motivo fútil, meio cruel, emboscada e recurso que dificultou a defesa da vítima e fraude processual, conforme previsto nos arts .121, §2º, I, II, III e IV, e 347 do Código Penal, em concurso material (art. 69 do CP).

Com o indiciamento, inicia-se a etapa seguinte para que os fatos sejam levados ao Poder Judiciário. A família reafirma que buscará, em juízo, a condenação do acusado nos termos da lei, acompanhando cada fase do processo até que justiça seja feita.

Danilo era um jovem querido, trabalhador e profundamente amado por sua família. Sua memória seguirá sendo honrada com a busca incansável pela verdade e pela responsabilização do autor.”

O que diz advogado de Diego

“[…] Diante do histórico robusto e devidamente comprovado por laudos, relatórios e receituários que esta banca de defesa recebeu dos familiares de Diego, comprovando que o mesmo possui o diagnóstico de esquizofrenia paranoide CID F20.0, e que faz tratamento desde 2007, a defesa informa que já está trabalhando rumo a uma instauração de incidente de insanidade mental, medida absolutamente necessária para que o Poder Judiciário avalie a real capacidade de compreensão e autodeterminação do investigado, tanto à época dos fatos, quanto no momento atual.

É imprescindível esclarecer que tal doença, interfere significativamente em sua percepção da realidade, coerência narrativa, memória, comportamento e compreensão de seus próprios atos, a defesa esclarece ainda que está atuando de maneira cautelosa respeitando o diagnóstico do indiciado e adotando medidas compatíveis com sua condição clinica, visto que o transtorno mental grave do mesmo interfere de maneira sensível na comunicação entre Diego e seu defensor, tornando certas conversas fragmentadas, confusas ou inconsistentes, o que exige atenção redobrada e metodologia adequada durante os diálogos de defensor e cliente.

Por tais razões se faz necessário a instauração de incidente de insanidade mental, visto que tal providência é indispensável para assegurar que todos os atos processuais sejam conduzidos com observância dos parâmetros legais e psiquiátricos adequados, garantindo-se o correto enquadramento jurídico da situação de Diego.

A defesa informa que seus familiares já foram ouvidos pelas autoridades competentes, ocasião em que reafirmaram seu compromisso com a Justiça e com o esclarecimento completo dos fatos. A família, profundamente abalada e surpreendida por toda a situação, prestou sinceras desculpas aos familiares das vítimas, expressando solidariedade e respeito diante da dor enfrentada por todos os envolvidos.

Ressaltaram, ainda, que não compactuam com qualquer ato delituoso e que, caso ao final da investigação seja confirmada a responsabilidade de Diego, ele responderá conforme a lei determina, sempre observados os parâmetros legais, médicos e periciais compatíveis com sua condição psiquiátrica.

[…] Por fim, a defesa seguirá acompanhando atentamente cada etapa do procedimento, assegurando que tudo seja conduzido com rigor técnico, equilíbrio e absoluto respeito ao devido processo legal, permanecendo sempre à disposição para quaisquer outros esclarecimentos.”

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