Investigação tenta esclarecer envenenamento de árvores em parque familiar de SC
O tradicional Parque Municipal Ilha das Conchas, localizado em Florianópolis, tem sido alvo de preocupação dos moradores. Diversas árvores foram encontradas com perfurações profundas e vestígios de uma substância química desconhecida. As informações são da NSC TV.
A situação foi notada no dia 16 de abril, após vídeos circularem em redes sociais e moradores alertarem a Intendência de Coqueiros.
Segundo Delmar, presidente da associação de moradores do bairro, o dano atinge espécies como eucaliptos e garapuvus. Um líquido de coloração arroxeada escorre pelos troncos, evidenciando a gravidade da ação.
Veja fotos do parque















Para a comunidade, a escala do vandalismo sugere que o crime não foi cometido por uma única pessoa, dada a rapidez e a quantidade de árvores atingidas.
A investigação
A identificação dos responsáveis é dificultada pela falta de monitoramento no parque. Embora existam câmeras em condomínios vizinhos, o alcance dos equipamentos não cobre a área interna da reserva.
Técnicos da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram) realizaram uma vistoria preliminar, mas a análise detalhada da substância ficou a cargo de laboratórios da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
A suspeita inicial é de que se trate de um herbicida potente, utilizado para interromper o crescimento e causar a morte das plantas.
O risco por trás
Especialistas alertam que o dano vai além da toxicidade. De acordo com biólogos consultados, as perfurações funcionam como “feridas abertas” na casca das árvores, que serve como uma barreira de proteção semelhante à pele humana.
Sem o tratamento adequado, esses furos facilitam a entrada de fungos e bactérias, o que pode comprometer a estrutura das árvores a longo prazo, gerando risco de quedas futuras.
Isolamento total
Como medida de precaução, a Prefeitura de Florianópolis iniciou o isolamento das áreas afetadas para evitar que pedestres e animais de estimação entrem em contato direto com o produto químico ainda não identificado.
Não há, até o momento, um prazo definido para a divulgação dos resultados laboratoriais que confirmarão o nível de periculosidade do líquido. Para os moradores, o sentimento é de revolta.
— É uma tristeza. Nós, moradores, plantamos e cuidamos de tudo. Qualquer intervenção na flora deveria ser feita por órgãos competentes, nunca por uma pessoa individualmente e dessa forma destrutiva — desabafou João, morador da região que utiliza o parque diariamente para o lazer.
Polícia Civil investiga o caso
Um procedimento investigativo foi instaurado pela Polícia Civil para apurar a denúncia do envenenamento no bairro Abraão. Em nota, o órgão explicou que deve confirmar se realmente houve o uso de substâncias tóxicas; confira:
“A Polícia Civil de Santa Catarina instaurou procedimento investigativo para apurar a denúncia de suposto envenenamento de árvores em um parque localizado no bairro Abraão, em Florianópolis. Determinando o encaminhamento do caso à Polícia Científica para a realização de perícia técnica detalhada. O laudo pericial terá como objetivo confirmar se houve o uso de substâncias tóxicas, identificar as espécies atingidas e verificar se tratam de árvores nativas. A partir do resultado das análises técnicas, a instituição terá subsídios para confirmar a ocorrência de crime ambiental e adotar as providências legais cabíveis.”
*Sob supervisão de Vitória Hasckel