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Frase do dia de Rossandro Klinjey: ‘Hoje repetir alguns padrões dos nossos pais seria uma benção’

Rossandro Klinjey reflete sobre o que gerações devem carregar ou abandonar em relação a anterior
10/08/2026 - 12:32 - Atualizada em: 10/08/2026 - 12:32

Por muito tempo, uma das maiores conquistas de uma geração parecia ser não se tornar aquilo que seus pais foram. Crescer significava identificar os erros da família, questionar regras e prometer que, quando chegasse a própria vez, seria diferente.

Essa sensação aparece na música Como Nossos Pais, de Belchior. Para o psicólogo e palestrante Rossandro Klinjey a canção carrega uma espécie de frustração, apesar de toda a vontade de romper, a nova geração descobre que continua carregando comportamentos, valores e conflitos herdados de quem veio antes.

Essa será a primeira geração com desempenho cognitivo menor que o anterior ( Foto: Banco de imagens)

Décadas depois, Renato Russo retomou essa mesma discussão a partir de outro lugar. Em vez de olhar para os pais apenas como aqueles que deveriam ser responsabilizados pelas dores da infância, trouxe também a perspectiva de que eles foram, um dia, crianças. Antes de serem pais, também foram pessoas tentando entender o mundo.

Para Rossandro, a geração atual venceu a batalha que Belchior perdeu. Conseguiu ser radicalmente diferente dos pais.

Nem tudo que veio antes precisava ser destruído

O psicólogo explica que a geração atual conseguiu romper com muitos padrões que durante décadas foram tratados como naturais dentro das famílias. A autoridade baseada no medo, os gritos, as agressões físicas e uma hierarquia em que crianças não tinham espaço para questionar foram, em muitos casos, colocados em xeque. “Parte disso foi avanço civilizatório”, afirma.

 “Na pressa de jogar fora o que machucava foi junto muita coisa que sustentava”

Em seu quadro diário na CBN, Rossandro explica que existe uma diferença entre abandonar aquilo que machuca e rejeitar tudo aquilo que veio antes. Na tentativa de construir uma educação completamente diferente da recebida, algumas famílias podem acabar encontrando outro extremo. Rossandro relata que essa será a primeira geração com desempenho cognitivo menor que o anterior, segundo ele “Nossos pais erraram muito, mas erraram presentes, com limites. A gente erra moderno, terceirizando a infância pra uma tela que não ama ninguém.” Contudo, “hoje repetir alguns padrões deles seria uma benção”, segundo Rossandro.

A reflexão de Rossandro Klinjey sobre a peneira entre gerações

Rossandro defende que uma das grandes tarefas de cada geração seja olhar para o que recebeu, questionar o que precisa ser questionado e, ao mesmo tempo, ter maturidade para reconhecer que nem tudo precisa ser descartado.

Belchior cantava sobre a angústia de perceber que, apesar de todos os esforços, uma geração poderia continuar parecida com a anterior. Hoje, talvez a pergunta seja outra: e se algumas das coisas que tanto tentamos deixar para trás fossem justamente aquelas que ainda precisamos aprender a preservar?

No fim, Rossandro explica que a ruptura completa talvez nunca tenha sido o objetivo. O verdadeiro trabalho de uma geração é construir uma peneira própria: deixar passar aquilo que pode ser transformado e reter aquilo que, mesmo antigo, ainda sustenta.

Assista ao comentário completo de Rossandro Klinjey no quadro “Refletir para Viver”

*Sob supervisão de Vitória Hasckel

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