Festas em cafeterias se tornam tendência entre os jovens de Florianópolis; entenda
Substituir o globo de luz pela luz natural do sol ou trocar o drink alcoólico por café – ou por um drink de café – tem se tornado tendência em alguns países pelo mundo, inclusive em algumas cidades do Brasil, com as festas diurnas. Em Florianópolis, o novo modelo de evento dá os primeiros passos.
Edições como a festa matutina “Expresso Macchiato ” são cada vez mais comuns. O evento começou às 9h do último sábado (02), na Cachoeira do Bom Jesus, Norte da Ilha e atraiu dezenas de participantes. Com música eletrônica e todo o serviço de padaria da Nakombi Café no menu, a Expresso durou até as 14h.
— É algo que está acontecendo em vários lugares e nos inspiramos nessa experiência para organizar uma versão por aqui — conta o produtor de eventos, Isaac Varzim.
Costumeiramente, as festas diurnas costumam iniciar logo cedo pela manhã e podem durar até o sol se pôr, no primeiro sinal de chegada da noite.
Isaac, que também é DJ, tem uma larga experiência com “festas tradicionais”, as típicas à noite e durante a madrugada, mas decidiu dar uma chance aos eventos diurnos.
— Mesmo sendo em uma manhã fria, no sábado, as pessoas realmente se arrumaram para sair e foram para a festa — conta ele.
O turista dos Estados Unidos, Michael Howard, de 29 anos, e sua namorada foram pela música, mas ficaram pela atmosfera.
— Eu amo a ideia de festas matinais, porque elas dão opções para pessoas que não bebem álcool, como eu e minha namorada. Foi muito bom não sentir a pressão de ter que beber algo alcóolico, tendo tantas outras opções disponíveis — afirma.
Segundo Michael, as festas matinais também têm acontecido com frequência em sua cidade, Austin, no estado do Texas, e ver que um evento parecido estava acontecendo durante sua visita em Florianópolis, ajudou na decisão de participar.
— As raves matinais tem ficada cada vez mais populares por lá e foi divertido ver que elas também acontecem por aqui.
Festas matinais tem atraído dezenas



Novo público, novas alternativas
Aos fins de semana, também é possível ouvir música eletrônica desde às 10h da manhã na cafeteria-bar-balada, Vista Feia, na rua Padre Roma, Centro da Ilha. Desde a inauguração do espaço, em março, três edições da Matina Club já foram realizadas lá.
Segundo o DJ e produtor da festa, Marcos Scheidt, a ideia era criar uma alternativa para as festas noturnas desde o primeiro dia do bar. Lá as manhãs são embaladas por disco, pop e dance music. Enquanto o café se tornou o insumo principal, tanto como bebida tradicional, como em drinks sem álcool, com pouco álcool e alguns tão intensos quanto os da noite.
— Tinha a galera que é o público do Vista Feia, mas tinha também vários tiktokers [usuários de TikTok], um pessoal que foi porque era novidade, foi bem variado —, explica.
Diferente das festas noturnas, Marcos conta que viu muitas pessoas filmando a experiência, ao invés de dançar para a música. O comportamento típico da Geração Z, apesar de chamar atenção, também pode representar uma mudança nos comportamentos em festas.
Club.AM
Transformação das festas
Pelo mundo, essa alteração nos hábitos tem impactado a sobrevivência de muitos clubes noturnos. Segundo relatório da Night Time Industries Association (NTIA), a Grã-Bretanha perdeu um terço das suas casas noturnas desde a pandemia, entre os anos de 2020 e 2024.
O impacto também foi sentido na Alemanha, que chegou a criar uma palavra pra definir o período. “Clubsterben”, que significa “morte dos clubes”.
Por aqui, apesar da proposta inicial da Matina Club, as edições mais recentes da festa foram realizadas um pouco mais tarde: ao invés das 10h da manhã, a festa começa às 14h. Segundo Marcos, o público passou a frequentar as festas como um aquecimento para a noite, ao invés de uma substituição absoluta.
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