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Exposição inédita revela a memória quilombola de Florianópolis

Artista reúne coletânea de fotos que registram cotidiano e cultura da única comunidade quilombola de Florianópolis
01/12/2025 - 11:31 - Atualizada em: 01/12/2025 - 11:31
bastidores da exposição “Quilombolas Em Terras de Jacintha”
Exposição estará aberta para visitação até fevereiro de 2025 (Foto: Talita Warnava)

A única comunidade quilombola de Florianópolis será protagonista de uma exposição que busca recuperar memórias e historias esquecidas. A mostra “Quilombolas: Em Terras de Jacintha” abre na quinta-feira (4), a partir das 17h, na Galeria Cultural do Mercado Público, localizado no centro da capital.

A exposição é fruto do trabalho do artista e curador Radilson Carlos Gomes da Silva e reúne 22 fotografias analógicas produzidas com Lambe Lambe, técnica de fotografia muito usada em espaços públicos.

A mostra pode ser visitada gratuitamente até 6 de fevereiro de 2026, de segunda a sexta, das 12h às 18h, na Rua Conselheiro Mafra, 255.

Veja algumas fotos da exposição

O que está presente nas fotos

As fotos mergulham no cotidiano do Quilombo Vidal Martins, em Terras de Jacintha, no bairro Rio Vermelho. A exposição é resultado de cinco meses de convivência e escuta dentro da comunidade e, mais do que retratar pessoas, registra toda a cultura e história da comunidade.

Segundo Radilson, “cada imagem é um fragmento de memória, um testemunho da resistência e da conexão dessa comunidade com o seu território”.

— Acredito que a arte tem o poder de transformar, de nos fazer enxergar o mundo com outros olhos. Com esta exposição, espero que o público possa sentir a força e a dignidade da comunidade quilombola do Rio Vermelho e refletir profundamente sobre a importância de sua luta pela terra, que é, em essência, uma luta pela preservação de sua cultura, de sua história e de sua dignidade como povo — declara o artista.

A escolha pelo Lambe Lambe, câmera centenária usada para fotografia em praças e feiras, reforça essa intenção do artista. Paralelamente, o artista usa o smartphone para registrar depoimentos, aproximando passado e presente na mesma obra.

A exposição também toca em questões urgentes, como a luta pela titularidade da terra, a preservação da cultura e o reconhecimento do quilombo como parte da história de Florianópolis.

Trabalho de Radilson na fotografia

Radilson Carlos Gomes da Silva já acumula trabalhos marcados pelo olhar humanitário e pela abordagem social. Entre seus projetos estão “Floripa em 3×4”, sobre personagens anônimos da cidade; o Projeto Yvyrupa Território, sobre povos indígenas; e o ensaio Haiti Bombagai, que acompanhou a chegada de imigrantes haitianos ao Brasil.

Ele também atua em produções ligadas à saúde pública e participou, recentemente, da mostra coletiva Brasil: Terra Indígena, na COP30, em Belém.

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