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Estilistas de Florianópolis levam arte manezinha para evento referência nacional em São Paulo

Manezinhos produziram um dos desfiles na Casa dos Criadores, realizada em São Paulo entre os dias 22 e 27 de julho
31/07/2025 - 10:44 - Atualizada em: 31/07/2025 - 10:44
Profissionais de Florianópolis desfilaram coleção na quinta-feira (24). (Foto: Divulgação/AGFOTOSITE)

Um grupo de 11 profissionais de moda de Florianópolis fez seu primeiro desfile autoral na Casa de Criadores em São Paulo, no último final de semana. A equipe que levou a arte manezinha para as passarelas reuniu estilistas, um time de styling, modelos, designers e fotógrafos em uma superprodução autoral.

A Casa dos Criadores é conhecida por ser o maior e o principal evento de moda autoral do país ao reunir estilistas, modelos e criadores de todo o Brasil para uma semana de arte na capital paulista. A 56ª edição do evento foi realizada entre os dias 22 e 27 de julho, no coração da cidade.

Coleção Manézinha reúne diversos artistas

A coleção manezinha foi dirigida por Ranieri Bona, de 30 anos, formado em Design de Produto pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e morador de São José, na Grande Florianópolis. Rani, como também é conhecido, é o criador da marca autoral Ovestruz e foi quem reuniu amigos e colegas da ilha para o evento em São Paulo.

— Como a gente tinha o ateliê em Floripa, eu quis trazer essas pessoas porque são talentosíssimas e que eu vejo que tem muito potencial na parte dos stylings —, explica o estilista.

A produção do desfile começou há um ano, quando a equipe começou a pensar no projeto. O núcleo de estilistas, os que criam as roupas, foi formado por Rani e Giba Duarte, também morador de Florianópolis e Auri, de São Paulo.

A equipe de styling, os cinco responsáveis pela criação dos looks e dos visuais, era toda de Florianópolis, com a colaboração de Mapê Santos, Aisha Gabriella Gonçalves, Naiana Pianseski, João Avelino da Silva Pio Silveira e Yuna Bae.

Nas passarelas, alguns modelos de Florianópolis também estamparam as roupas e a parte visual, de design e fotografia, foi encabeçada pelos manezinhos Leticia Fantin e Otávio Nascimento, entre nascidos ou naturalizados em Florianópolis.

— Participar da Casa de Criadores sempre foi um grande sonho para mim e era algo até distante para minha realidade, eu que venho de uma cidade do interior de Santa Catarina, que tem 10.000 habitantes. A Casa de Criadores era algo que eu sempre imaginei, mas achei que levaria um processo de tempo muito maior para acontecer — conta.

Desfile VO RO NÓI, na Casa dos Criadores

Para a criação das peças, Rani conta que buscou inspiração nos padrões encontrados na natureza, principalmente em pelagens de animais, em folhas e até na terra seca. O Diagrama Voronoi também deu nome à coleção.

— Comecei a pesquisar esses padrões naturais e eu encontrei um padrão que chama Voronoi, que são formas geométricas que se conectam. E, nessa conexão, eles criam essas formas e são formas que são encontradas em vários animais — explica.

A equipe então combinou pesquisa e técnicas de modelagem para criar as peças para o desfile em São Paulo.

Rani, criador da Ovestruz

Desde 2019, Rani trabalha em peças autorais reaproveitando outras peças e tecidos descartados, resíduos da indústria têxtil e retalhos para criar suas roupas. Inspirado pela natureza, o estilista une técnicas de confecção modernas e tradicionais para a confecção de suas peças, como unir a modelagem ao tricô, que aprendeu com sua mãe.

— Minha mãe é costureira e foi com ela que eu aprendi a costurar, aprendi a tricotar. Então, desde a infância eu tenho esse contato com a criação de roupas, mas nunca fui muito incentivado por ela a seguir a área da moda, porque para ela sempre foi muito difícil atuar como costureira —, explica.

Segundo o estilista, foi na faculdade que a criação de peças começou a se materializar. As primeiras roupas, que já utilizavam materiais de peças descartadas, foram vendidas e compartilhadas entre amigos; momento chave para o nascimento da sua marca Ovestruz, em 2019.

As vendas aumentaram e a produção precisou acompanhar o ritmo. Na mesma época, Rani decidiu oficializar a marca e passou a oferecer suas peças para lojas colaborativas da cidade.

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