Entenda viagem de brasileiro dos EUA ao Brasil para trazer esposa em estado vegetativo
Ubiratan Rodrigues, de 41 anos, está preparando uma jornada de cerca de 50 dias por 11 países para trazer a esposa, que está em estado vegetativo, de Orlando (EUA) até Juiz de Fora (MG). A viagem, de quase 7 mil quilômetros, será feita em um motorhome adaptado com estrutura médica para oferecer segurança e conforto durante todo o percurso.
Segundo Ubiratan, o veículo ainda não foi comprado, mas a aquisição deve ocorrer até o fim de outubro. A escolha recaiu sobre um modelo de porte médio, que será aceito nos trâmites logísticos da travessia pelo Canal do Panamá, etapa em que o veículo precisará ser transportado dentro de um contêiner lacrado, por segurança.
O motorhome funcionará como uma casa sobre rodas, com quarto, cozinha, banheiro, ar-condicionado e gerador de energia. Entre os recursos estão:
- Cama de casal e outra próxima ao volante, que acomoda duas pessoas
- Banheiro com chuveiro
- Cozinha com pia, fogão, geladeira e micro-ondas
- Armários para roupas, alimentos e equipamentos médicos
- Sistema de controle de temperatura e energia autônoma
Estrutura adaptada para trazer esposa em estado vegetativo dos EUA






A principal adaptação será a instalação de uma cama hospitalar fixada ao piso, com o tronco levemente inclinado, conforme orientações médicas.
O espaço também será ajustado para os equipamentos usados por Fabíola da Costa, como oxímetro, nebulizador, aspirador de secreções, sensor de temperatura e kit de medicamentos.
Apesar de estar em estado vegetativo desde setembro de 2024, após sofrer três paradas cardíacas e uma perfuração pulmonar, Fabíola tem quadro estável e não precisa de ventilação mecânica.
— Eu cuido dela 24 horas por dia. Dou banho, alimento, troco fralda, esvazio a bolsa de colostomia, faço os exercícios físicos e respiratórios. Isso vai continuar sendo feito no motorhome —contou Ubiratan ao g1.
O brasileiro pretende dirigir apenas durante o dia, parando antes do anoitecer para descansar e cuidar da esposa e dos três filhos. O trajeto, que poderia ser feito em um mês, deve se estender por 50 dias, com pausas próximas a hospitais e locais seguros.
Alternativa à UTI aérea de R$ 1 milhão
A decisão pela viagem surgiu como uma alternativa à UTI aérea, cujo custo estimado ultrapassa R$ 1 milhão. Desde o colapso de Fabíola, a família já gastou mais de R$ 270 mil com tratamentos, equipamentos e cuidados diários.
Sem condições financeiras de continuar o tratamento nos EUA, Ubiratan busca no retorno ao Brasil uma chance de receber apoio do SUS e ficar perto da família.
— A única saída viável hoje é essa. Nossa esperança está em voltar para casa. Estamos esgotados emocional e financeiramente. Não dá mais para esperar — disse.
*As informações são do G1
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