El Niño ganha força e Florianópolis se prepara para inverno atípico e chuvas extremas
As chances do fenômeno El Niño se confirmar no segundo semestre e persistir até o fim de 2026 já chegam a 82%, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).
Para Florianópolis e toda a região Sul do Brasil, a principal consequência dessa mudança na temperatura do Oceano Pacífico é sentida diretamente na rotina: um inverno com dias mais quentes e uma primavera sob a ameaça de temporais extremos.
Adeus, frio intenso?
Oficialmente, o inverno começa no dia 21 de junho. No entanto, se o El Niño se configurar de forma moderada ou forte até os meses de julho e agosto, o frio rigoroso típico de Santa Catarina deve dar uma trégua.
O meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Gilvan Sampaio, alerta que o principal impacto imediato serão temperaturas acima da média histórica, com a possibilidade real de ondas de calor em pleno inverno na Capital catarinense.



(Foto: Banco de Imagens)


(Foto: Arquivo)
O perigo da primavera
Se o calor fora de época incomoda, o verdadeiro alerta para Florianópolis recai sobre o volume de chuvas. Historicamente, o El Niño é o grande “vilão” dos alagamentos em Santa Catarina durante o segundo semestre.
Gilvan relembra que os episódios de chuvas intensas e enchentes devastadoras no Brasil têm forte relação com o fenômeno. “Ocorrem o aumento das chuvas durante a primavera, e isso traz um impacto muito grande”, alerta o pesquisador.
Aquecimento global e os extremos
Apesar da preocupação com o El Niño, os especialistas alertam que ele é apenas um agravante de um problema maior. O aquecimento global tem sido o motor das grandes catástrofes climáticas. “O El Niño potencializa, mas o principal é o que vem do aquecimento global. O golpe de misericórdia vem com o El Niño porque aumenta os extremos”, enfatiza o meteorologista.
Até o momento, o clima passa por uma estação de transição (outono), e a intensidade real do fenômeno para o fim de 2026 será confirmada com mais precisão a partir de junho.
*Sob supervisão de Vitória Hasckel