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Duas estudantes vivem terror com assalto e ameaças no campus da UFSC em Florianópolis

As jovens, que cursam Economia, foram surpreendidas por dois homens armados em uma motocicleta
09/10/2025 - 13:08 - Atualizada em: 10/10/2025 - 08:19
“Vai morrer, vagabunda”: alunas vivem terror durante assalto na UFSC. (Foto: Google Maps/Reprodução)
“Vai morrer, vagabunda”: alunas vivem terror durante assalto na UFSC. (Foto: Google Maps/Reprodução)

Duas estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), de 21 e 24 anos, viveram momentos de terror ao serem assaltadas dentro do campus universitário, na noite desta quarta-feira (8), em Florianópolis. As jovens, que cursam Economia, foram surpreendidas por dois homens armados em uma motocicleta enquanto iam do Centro Socioeconômico (CSE) para a saída da Carvoeira.

A estudante de 21 anos, que preferiu não se identificar, relatou o desespero vivido durante a abordagem.

— Estávamos voltando do CSE, por volta das 21h, entre o Colégio de Aplicação e um prédio abandonado na UFSC. Passaram dois caras numa moto, olharam pra gente e falaram: ‘Pode passar’. Na hora em que eu olhei para eles, eu pensei: eles vão nos assaltar — disse.

A estudante conta que os criminosos voltaram e pararam ao lado da amiga, em um trecho escuro:

— Eles pararam e falaram: ‘Não grita’. O cara estava com uma arma, e ela começou a correr e gritar. Ele foi atrás dela, e o outro desceu da moto também. Eu vi a arma e congelei. Depois comecei a correr muito, com medo de ele atirar em mim.

Desesperada, a jovem buscou ajuda.

— Bati na guarita que tem ali na entrada da Carvoeira, mas a moça que estava no ponto disse que não tinha nem um guardinha. Fiquei com muito medo de eles voltarem. Corri até o CSC [Centro Social da Cerveja], cheguei sem conseguir falar direito. A polícia chegou muito rápido, graças a Deus — relembra.

A amiga, de 24 anos, não teve a mesma sorte. Foi derrubada pelos assaltantes, agredida, e teve o celular e a bolsa levados.

— Apontaram uma arma na cabeça dela e falaram: ‘Vai morrer!’. Depois pegaram as coisas dela, deram uma volta e foram em direção à Trindade — contou a colega.

A vítima sofreu ferimentos e precisou de atendimento médico. Na sequência, retornou ao local para prestar depoimento à PM.

Local em que estudantes saiam quando foram assaltadas na UFSC. (Foto: Google Maps/Reprodução)
Local em que estudantes saiam quando foram assaltadas na UFSC. (Foto: Google Maps/Reprodução)

PM realiza buscas e UFSC diz que vai colaborar com investigações

Em nota, a Polícia Militar informou que foi acionada por volta das 21h30 e conversou com as duas vítimas, que relataram a abordagem e a fuga dos suspeitos em uma motocicleta vermelha.

A corporação confirmou que os autores subtraíram um iPhone 12 mini e materiais escolares, além de ameaçar e agredir uma das jovens. “Foram realizadas buscas na região, porém nenhum suspeito foi localizado até o momento”, disse a PM em nota.

A UFSC afirmou que a Polícia Militar esteve no campus, mas não encontrou os suspeitos. “A Secretaria de Segurança Institucional está buscando imagens no sistema de monitoramento por câmeras para colaborar na identificação deles”, informou a instituição. (Leia a nota na íntegra abaixo:)

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está colaborando com as autoridades para esclarecer a ocorrência policial envolvendo duas estudantes da instituição, registrada na noite de quarta-feira (8/10), nas proximidades do Centro Socioeconômico (CSE), no campus Trindade.

Assim que foi informada do fato, a Secretaria de Segurança Institucional (SSI) acionou a Polícia Militar e iniciou a análise das imagens do sistema de videomonitoramento, a fim de auxiliar na identificação dos autores. Na manhã desta quinta-feira, uma das vítimas procurou a Segurança da UFSC, onde registrou boletim de ocorrência e forneceu informações já encaminhadas à Polícia Civil, responsável pela investigação.

A Administração Central reafirma a cooperação com as forças de segurança pública no campus, parceiras nas ações de prevenção e no atendimento a ocorrências na Universidade e em seu entorno.

A UFSC manifesta solidariedade às estudantes e reitera seu compromisso com a segurança da comunidade universitária. As vítimas foram recebidas no Gabinete da Reitoria e, após o devido acolhimento, a Administração Central acionou as pró-reitorias competentes, recomendando o acompanhamento psicológico e acadêmico necessários.

A instituição vem adotando medidas para ampliar a proteção, como o reforço das rondas com motocicletas e a expansão do sistema de vigilância eletrônica. Paralelamente, a UFSC atua em nível nacional, por meio da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), e junto ao Congresso Nacional, na busca de recursos para a presença de profissionais estáveis e qualificados na proteção dos campi.

A Reitoria também tem buscado soluções para melhorar a iluminação em áreas de grande circulação e para definir rotas mais seguras para o deslocamento de estudantes, servidores e visitantes. Trata-se de um desafio permanente, considerando que o campus Trindade possui área superior a 912 mil metros quadrados e livre acesso à comunidade.

A Administração Central reafirma seu compromisso de seguir dialogando com a comunidade universitária e com as autoridades competentes, para que o campus da UFSC continue sendo um espaço de convivência, estudo e trabalho pautado pela segurança, pelo respeito e pela vida.

Já a Prefeitura de Florianópolis declarou que a segurança dentro do campus é responsabilidade da universidade. “A Guarda Municipal de Florianópolis não tem competência para atuar em área federal, apesar disso realiza rondas regularmente no entorno para coibir ocorrências”, disse o comunicado da prefeitura.

DCE critica falta de segurança no campus após assalto na UFSC

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFSC também se manifestou após o caso. Em nota, a entidade criticou a ausência de medidas efetivas de segurança no campus.

“Cada dia mais, a falta de iluminação, precarização dos contratos de vigilantes e a falta de respostas da universidade em relação às nossas reivindicações tornam a UFSC um lugar inseguro, principalmente para mulheres, pessoas LGBT e negras. A situação de ontem é lamentável, e nos faz questionar quantos mais casos como esses precisam ocorrer para que as nossas demandas sejam levadas a sério pela instituição”, escreveu o DCE.

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