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“Do sonho ao pior pesadelo”: brasileira que acusa Jeffrey Epstein de abuso revela identidade

Em ato em Washington, ela e outras vítimas pediram a liberação de todos os documentos do caso
04/09/2025 - 09:39 - Atualizada em: 04/09/2025 - 09:51
Segundo a vítima, tudo começou quando ela tinha apenas 14 anos — (Foto: Reprodução/X)

A brasileira Marina Lacerda, de 37 anos, revelou publicamente sua identidade pela primeira vez como uma das vítimas de abuso sexual do bilionário Jeffrey Epstein, encontrado morto em uma prisão nos EUA em 2019. Durante uma coletiva de imprensa em Washington, capital dos EUA, nesta quarta-feira (3), ela deu detalhes de como foi recrutada e abusada. As informações são de ABC News.

Até então, Lacerda era identificada nos processos judiciais apenas como “vítima menor número 1”.
Em Washington, ao lado de outras oito mulheres que acusam Epstein, ela participou de um ato em frente ao Congresso americano pedindo total transparência e a revelação de todos os documentos ligados ao caso.

Tudo começou quando Lacerda tinha 14 anos

Segundo Lacerda, tudo começou quando ela tinha apenas 14 anos e vivia de forma precária em Nova York, dividindo-se em três empregos para ajudar a família. Uma amiga do bairro do Queens lhe disse que era possível ganhar US$ 300 para “fazer massagem em um cara”.

A adolescente acabou entrando em uma rede de meninas recrutadas para frequentar a mansão de Epstein.

— Quando ele tem alguém novo em sua vida, ele gosta de ver muito essa pessoa. Então eu fui lá algumas vezes e isso levou a, infelizmente, ele me forçar a fazer sexo com ele — relatou à ABC News.

A brasileira contou que recebeu milhares de dólares durante o período em que “trabalhou” para o bilionário, o que a levou a abandonar a escola. Ela acreditava que a proximidade com Epstein poderia lhe render melhores oportunidades no futuro.

— Foi do trabalho dos sonhos ao pior pesadelo — disse Lacerda durante o ato em Washington.

Aos 17 anos, ela conta que foi dispensada por Epstein sob a justificativa de que já estava “velha demais”.

Apelo por transparência

Lacerda já havia sido procurada pelo FBI (a polícia federal americana) em 2008. Na época, com 17 ou 18 anos, ela diz que ficou com medo e ligou para Epstein, que contratou um advogado para representá-la. O caso não avançou para ela naquele momento.

Em 2019, o FBI a procurou novamente, e desta vez ela decidiu falar.

— Eu teria me sentido muito melhor hoje se eu pudesse ter falado em 2008. Se tivessem me dado a chance de falar, essas mulheres não teriam passado por isso — afirmou, referindo-se a outras vítimas que foram abusadas após esse período.

Emocionada, Marina Lacerda também compartilhou que contou sua história para a filha pequena. “Ela é tão pequena e tão ingênua que ela falou tipo: ‘mãe, você é casca-grossa'”.

O principal pedido do grupo é a liberação de todos os arquivos do caso. “É algo não só pelas vítimas, mas para o povo americano”, defendeu a brasileira.

Desdobramentos do caso

O caso Epstein continua a ter forte repercussão política nos Estados Unidos. O presidente Donald Trump, que era amigo do bilionário mas afirma ter se afastado dele no início dos anos 2000, tem sido pressionado a esclarecer seus vínculos.

Questionado sobre a coletiva das vítimas nesta quarta, Trump classificou o movimento como “uma farsa democrata que nunca acaba” e reclamou que “ninguém nunca está satisfeito” com os documentos já divulgados.

Em entrevistas recentes, nenhuma das vítimas afirmou ter visto Trump ou o ex-presidente Bill Clinton, que também tinha relações com Epstein, cometerem atos inapropriados.

Na última terça-feira (2), um comitê da Câmara dos Representantes dos EUA tornou públicas 33 mil páginas e diversos vídeos relacionados ao caso, embora a maior parte do material já fosse de conhecimento público.

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