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Como funcionava o esquema de tráfico internacional de russo em Jurerê que usava “mulas humanas” para exportar cocaína

Imóvel de alto padrão em Florianópolis servia de fachada para a produção e preparo da droga
14/04/2026 - 07:49 - Atualizada em: 14/04/2026 - 07:49
A descoberta do laboratório e a prisão do chefe do grupo são os desdobramentos de uma investigação minuciosa que começou no Aeroporto Internacional Hercílio Luz. (Foto: Divulgação, Policia Civil)

Uma mansão de alto padrão localizada em Jurerê Internacional, uma das áreas mais nobres e movimentadas de Florianópolis, servia como a base de operações de uma organização criminosa internacional. A Polícia Civil descobriu um laboratório completo de processamento de cocaína dentro da residência e prendeu em flagrante um homem de nacionalidade russa, apontado como o líder do esquema.

A descoberta do laboratório e a prisão do chefe do grupo são os desdobramentos de uma investigação minuciosa que começou no Aeroporto Internacional Hercílio Luz.

A rota das “mulas humanas”

O esquema criminoso começou a ruir quando as autoridades interceptaram um suspeito tentando embarcar em um voo com destino a São Paulo. O homem atuava como uma “mula humana” e tentava viajar com uma grande quantidade de drogas escondidas no próprio corpo.

Durante o interrogatório, a polícia descobriu que a missão do suspeito era transportar o entorpecente para o exterior, tendo como destino final a cidade de Moscou, na Rússia. Com a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça, os investigadores da Diretoria de Investigações Criminais (DEIC) conseguiram rastrear a origem da droga até o bairro nobre da capital catarinense.

Laboratório camuflado pelo luxo

A escolha da mansão em Jurerê Internacional foi uma estratégia deliberada da quadrilha. A intensa movimentação de turistas e a presença constante de veículos de luxo no bairro serviam como o disfarce perfeito, ajudando a não levantar suspeitas da vizinhança sobre o maquinário e os insumos do tráfico escondidos do lado de dentro.

Quando os agentes invadiram o imóvel, encontraram toda a estrutura montada para o preparo, refinamento e embalagem da cocaína que abasteceria a rede internacional.

Apreensão de moedas estrangeiras

O caráter transnacional do grupo criminoso ficou ainda mais evidente com os itens apreendidos na residência. Além de desativar o laboratório, os policiais confiscaram quase R$ 200 mil em espécie. O montante estava dividido em notas de diferentes moedas, incluindo dólares, euros e reais.

A Polícia Civil também apreendeu um veículo avaliado em cerca de R$ 150 mil. O cidadão russo preso no local foi encaminhado à sede da DEIC e permanece à disposição do Poder Judiciário. As investigações continuam para identificar se há outras ramificações e suspeitos envolvidos na rede de tráfico.

*Sob supervisão de Vitória Hasckel

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