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Como Florianópolis se tornou a 2ª capital do país em prevenção ao HIV

Com desempenho quase três vezes superior à média nacional, cidade alcança marca histórica no indicador de profilaxia
01/04/2026 - 09:53 - Atualizada em: 01/04/2026 - 09:55
(Foto: Divulgação, Cota)

Florianópolis se consolidou como uma das principais referências do país na prevenção ao vírus ao alcançar o segundo lugar entre as capitais brasileiras no indicador “PrEP:HIV”. De acordo com dados do Ministério da Saúde, a cidade atingiu o índice de 13,38, resultado muito acima da média nacional, que é de 5,01.

Na prática, os números da Capital catarinense revelam que, para cada novo diagnóstico registrado nos serviços de saúde, mais de 13 pessoas estão utilizando a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) de forma ativa. Esta estratégia pode reduzir em até 99% o risco de infecção quando seguida corretamente.

Redução histórica nos casos de HIV em Florianópolis

O desempenho reflete diretamente na queda dos diagnósticos na cidade. Entre 2019 e 2024, o município registrou uma redução de 29% nos novos casos de infecção por HIV e de 29,1% nos casos de aids, a maior queda acumulada entre todas as capitais brasileiras no período.

Do ponto de vista epidemiológico, especialistas apontam que um indicador acima de três já indica uma tendência de queda. “Esse resultado coloca a cidade na linha de frente da luta por uma geração livre de HIV/aids”, destaca o coordenador da Secretaria Municipal de Saúde, Ronaldo Zonta.

Estratégia de Prevenção Combinada

O avanço da Capital no ranking nacional é sustentado pela chamada Prevenção Combinada, que integra diferentes métodos de cuidado. Além da PrEP, o município investe na Profilaxia Pós-Exposição (PEP), testagem regular e oferta de preservativos e gel lubrificante em toda a rede.

Dados de fevereiro de 2026 apontam que, desde 2018, 6.103 pessoas iniciaram o uso da PrEP em Florianópolis. Atualmente, 2.759 seguem em uso regular da profilaxia. O agendamento para início do tratamento preventivo pode ser feito de forma digital ou por telefone.

Inovação e acolhimento no atendimento

Para facilitar o acesso e combater o estigma, a prefeitura implementou serviços pioneiros, como a entrega de medicamentos pelos Correios. Cerca de duas mil pessoas já utilizaram essa modalidade, que garante sigilo e comodidade.

A rede do Estado também disponibiliza autotestes de HIV, que podem ser solicitados online ou retirados em armários digitais e farmácias dos Centros de Saúde. Em caso de diagnóstico positivo, o paciente pode iniciar o tratamento antirretroviral no mesmo dia, o que permite que a carga viral se torne indetectável, impedindo a transmissão do vírus

*Sob supervisão de Vitória Hasckel

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