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Casos de feminicídio dobraram na Grande Florianópolis no último ano

Região da Grande Florianópolis teve seis casos de feminicídio registrados apenas em 2024
20/05/2025 - 08:42 - Atualizada em: 20/05/2025 - 10:49
A lei tem como objetivo facilitar o deslocamento dessas mulheres a serviços de saúde, assistência jurídica e delegacias (Foto: Arquivo, Agência Brasil)

A região da Grande Florianópolis teve seis casos de feminicídio registrados apenas em 2024, de acordo com o Relatório de Violência Contra a Mulher. A região é destaque pois número representa um aumento de 100% em relação ao ano anterior, que registrou apenas três casos. O levantamento coleta dados de todas os municípios catarinenses que registraram casos de feminicídio entre janeiro e dezembro de 2024.

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O relatório indica que as vítimas costumam ser mais novas que os agressores, na faixa etária dos 20 aos 34 anos, em sua maioria. Já os agressores estão, principalmente, na faixa dos 35 aos 49 anos. A relação entre os envolvidos também foi destaque do levantamento, com a grande maioria dos casos envolvendo um marido e uma mulher.

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O município com mais registros é Florianópolis (3), seguido de São José (1), Palhoça (1) e Tijucas (1). O levantamento ainda indica que quase todos os casos de feminicídio foram realizados com uso de armas brancas.

Relembre casos de feminicídio

Até abril de 2025, dois casos de feminicídio foram registrados na Grande Florianópolis. Em maio deste ano, uma esteticista foi morta pelo namorado em Biguaçu.

Casos de feminicídio em Santa Catarina

Segundo o Altas da Violência, Santa Catarina registrou uma queda de 18,2% no número de casos de 2013 a 2023. Entretanto, no último ano do levantamento (2023), foi registrado um aumento de 2,5%. Além disso, em 83,3% dos casos não há registro de boletim de ocorrência contra o auto da agressão. Um dos autores da agressão continua foragido, de acordo com os dados do levantamento.

Em 2023, 57 casos de feminicídio foram registrados em Santa Catarina. Já ano seguinte, em 2024, 51 casos foram registrados em todo o Estado.

O que configura como feminicídio

Feminicídio é o homicídio doloso, com intenção de matar, contra a mulher por “razões de sexo feminino”, ou seja, desprezando a dignidade da vítima enquanto mulher. A Lei 13.104, sancionada em março de 2015, diz que é a morte que ocorre quando a motivação envolve violência doméstica e familiar, e menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça, levantados pela Folha de S. Paulo, apontam que 11.859 mulheres foram vítimas de feminicídio em todo o Brasil nos últimos 10 anos.

Não confundir com femicídio, que indica homicídio contra mulheres.

Como denunciar

Santa Catarina tem 32 Delegacias de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e Idoso (DPCAMIs), especializadas no atendimento às mulheres vítimas de violência. Denúncias podem ser feitas nestas delegacias ou pela delegacia virtual, no site da Polícia Civil.

Nos municípios onde não há delegacia especializada, a denúncia também pode ser feita em qualquer delegacia de polícia, além do telefone 181 ou pelo WhatsApp (48) 98844-0011 (telefone de denúncia da Polícia Civil).

Os casos de urgência e emergência são atendidos em todo território catarinense pela Polícia Militar, que pode ser acionada através do telefone 190, ou do aplicativo PM Cidadão, que pode ser baixado em qualquer aparelho de telefone celular.

Especial “Cicatrizes”

Em março deste ano, o NSC Total veiculou o especial “Cicatrizes”, que mostra a violência contra mulheres em Santa Catarina. A produção durou cinco meses e foi feita a 12 mãos de mulheres, sendo cinco jornalistas e uma designer.

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Além do relato de parentes de vítimas, a reportagem também mostra a história de mulheres que se reergueram após episódios violentos e hoje ajudam outras mulheres. O trabalho também detalha como a legislação avançou nos últimos anos e o que ainda falta para que as mulheres se sintam protegidas, sem medo de morrerem por simplesmente serem mulheres,

*Sob supervisão de Raquel Vieira

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