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Vídeos revelam animais mortos e manchas misteriosas em cartão-postal de Florianópolis: “Assustador”

Por precaução, o Instituto do Meio Ambiente orienta que moradores e turistas evitem entrar na lagoa e consumir frutos do mar da região
14/10/2025 - 10:34 - Atualizada em: 14/10/2025 - 11:35
Manchas misteriosas e frutos do mar mortos preocupam moradores de praia em Florianópolis. (Foto: Luah Garcia/Reprodução)
Manchas misteriosas e frutos do mar mortos preocupam moradores de praia em Florianópolis. (Foto: Luah Garcia/Reprodução)

Vídeos registrados por moradores, na manhã desta terça-feira (14), na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, mostram siris mortos, após o aparecimento de manchas escuras, e outras semelhantes a óleo, no mar. O fenômeno deixou os moradores preocupados e levantou dúvidas sobre a qualidade da água.

A moradora Luah Garcia, que costuma passear diariamente no início do Canto da Lagoa, na entrada da Rua Canto da Amizade, se surpreendeu com a cena.

— Hoje foi assustador. Todo dia acordo cedo para levar meu cachorro para passear aqui na beira da lagoa e hoje, na hora em que cheguei, levei um susto — contou.

Segundo ela, um pescador que costuma frequentar o local relatou nunca ter visto algo semelhante.

— Ele me disse: ‘É tudo morto, querida’. A água sempre foi linda, um espelho d’água, e hoje foi muito triste, muito siri morto — completou.

Manchas na água e siris mortos em praia de Florianópolis

Órgãos ambientais investigam a causa do fenômeno

O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) informou que recebeu imagens das manchas na noite de segunda-feira (13) e equipes devem ir até o local para vistoria e coleta de amostras nesta terça-feira (14).

“A Diretoria de Controle, Passivos e Qualidade Ambiental do IMA está organizando para hoje, ao longo do dia, a logística para ir até o local para fazer vistoria e coletas para análises. Somente após os resultados será possível falar do que se trata e dar mais orientações”, afirmou o órgão em nota.

O IMA explicou ainda que situações como a morte dos siris podem estar relacionada à proliferação de microalgas, que reduzem o oxigênio da água e podem causar a morte de animais aquáticos. No entanto, ainda não é possível confirmar com precisão.

A Prefeitura de Florianópolis, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, declarou que a hipótese do IMA pode ter relação com as altas temperaturas.

“A proliferação de algas observada na Lagoa da Conceição é potencializada pelas altas temperaturas e pela elevação na concentração de fosfato na água. O calor intenso ainda favorece o crescimento das algas, enquanto o aumento de nutrientes, como o fósforo, estimula ainda mais esse processo”, disse a prefeitura em nota.

Equipes da Blitz Sanear e do IMA devem monitorar o quadro e adotar medidas de controle ambiental. Vale destacar que o local tem o selo de própria para banho. No entanto, por precaução, o Instituto do Meio Ambiente orienta que moradores e turistas evitem entrar na lagoa e consumir frutos do mar da região até que a causa seja confirmada.

Casan nega ligação com a estação de esgoto da Lagoa

Em resposta às especulações sobre despejo de esgoto, a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) negou qualquer falha na operação da Estação de Tratamento da Lagoa. “O efluente tratado pela Estação de Tratamento de Esgoto da Lagoa da Conceição não é lançado diretamente na Lagoa”, informou.

A companhia acrescentou que as imagens que mostram espuma podem estar associadas a ligações irregulares na rede de drenagem pluvial.

Conforme noticiou o colunista Renato Igor, do NSC Total, desde sábado (11), a Lagoa de Baixo, na Lagoa da Conceição, está com uma mancha densa, com aparência de “nescau” com espuma.

A CASAN destacou, no entanto que “no domingo (12) pela manhã, após a ciência do fato, todas as estações elevatórias foram vistoriadas e nenhum problema foi encontrado na infraestrutura da Casan”.

“A Companhia atua de forma colaborativa com os órgãos competentes, como a Floram e a Vigilância Sanitária, e está em contato para auxiliar na identificação da origem do lançamento e contribuir com as medidas necessárias”, completou em nota.

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