Professora é suspeita de falsificar laudo confidencial de aluna para beneficiar filho em escola da Grande Florianópolis
Uma professora da rede estadual de Santa Catarina é acusada de falsificar um laudo neuropsicopedagógico de uma aluna para beneficiar o próprio filho em uma escola particular de São José, na Grande Florianópolis. Segundo apuração do NSC Total, o documento teria sido obtido durante o período em que a docente atuava como temporária em uma escola de Biguaçu, entre agosto e dezembro de 2025.
Conforme a denúncia, a professora teria utilizado um relatório confidencial elaborado por uma neuropsicopedagoga e substituído os dados da estudante pelos do filho. A suspeita é de que, além das informações pessoais, tenham sido alterados resultados clínicos e datas referentes à avaliação.
O documento original indicava que a validade do laudo terminaria em 23 de dezembro de 2025. Na versão apresentada à escola, a data teria sido modificada para 26 de março de 2026.
Ainda de acordo com o NSC Total, o arquivo adulterado preservava características do relatório original, como logotipo, timbre e padrão de escrita da profissional. O documento teria sido encaminhado à instituição de ensino em 20 de maio de 2026.
Escola identificou irregularidades em junho
A suspeita foi descoberta em 2 de junho de 2026, durante uma reunião virtual entre a neuropsicopedagoga e a equipe técnica da escola. Questionada sobre o laudo apresentado em nome do menino, a especialista informou que nunca havia atendido a criança ou os familiares dela.
Após analisar uma cópia do documento, a profissional identificou que o material reproduzia o relatório de uma de suas pacientes, com alterações de dados, e constatou o uso indevido de sua identidade profissional.
Na semana seguinte, a escola informou que havia desconsiderado o prontuário do aluno até que o caso fosse formalmente esclarecido.
Profissional pede indenização de R$ 10 mil
A neuropsicopedagoga ingressou com uma ação judicial contra a professora e requer o pagamento de R$ 10 mil por danos morais. O processo também requer o reconhecimento de falsificação material e ideológica do documento, além do uso não autorizado de informações e da identidade da profissional.
A ação pede ainda a inclusão do Governo de Santa Catarina no polo passivo. A especialista alega que houve falha do Estado na guarda e proteção de documentos confidenciais de natureza clínica e pedagógica sob custódia da escola pública.
Segundo a autora, o episódio prejudicou sua reputação perante a comunidade escolar e causou desgaste emocional.
Além da via judicial, uma representação foi protocolada na Ouvidoria-Geral do Estado para solicitar a apuração administrativa da conduta da servidora.
Procurada pela reportagem do NSC Total, a Secretaria de Estado da Educação (SED) não havia respondido aos questionamentos até a publicação desta matéria.
Sob supervisão de Pablo Olave Brito