Megaoperação contra corrupção em SC tem prisões em flagrante, dinheiro apreendido e R$ 2,7 milhões bloqueados
Uma megaoperação deflagrada na manhã desta terça-feira (27) pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) busca desarticular um suposto esquema de corrupção, direcionamento de licitações e lavagem de dinheiro em contratações públicas no Estado. Denominada “Dominus Urbis”, a ação cumpre 51 mandados de busca e apreensão e já resultou no bloqueio de mais de R$ 2,7 milhões em bens dos investigados.
As ordens judiciais foram expedidas pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) e são cumpridas em residências, sedes de empresas e órgãos públicos localizados em seis municípios: Alfredo Wagner, Bocaina do Sul, Palhoça, Blumenau, Xaxim e Ilhota. Entre os prédios públicos alvos das buscas estão as prefeituras de Alfredo Wagner e Bocaina do Sul.
Durante o cumprimento das ordens judiciais nesta terça, os agentes efetuaram prisões em flagrante por posse ilegal de arma de fogo de uso permitido e restrito, além do flagrante de um suspeito pelo crime de lavagem de capitais. Uma grande quantia em dinheiro em espécie também foi apreendida pelas equipes.
Investigação apontou como grupo atuava
De acordo com as apurações, o grupo atuava de forma articulada reunindo servidores públicos, empresários, familiares e laranjas. A suspeita é de que a rede direcionava contratos do poder público para favorecer empresas específicas, ocultando os valores obtidos ilegalmente por meio de contas de terceiros e pessoas jurídicas ligadas ao esquema.
O bloqueio de valores e o sequestro de bens, que somam mais de R$ 2,7 milhões, foram determinados pela Justiça para garantir o ressarcimento aos cofres públicos em caso de condenação, além de assegurar o andamento das medidas penais.






Todo o material recolhido será submetido à análise da Polícia Científica. A investigação tramita sob segredo de Justiça, e novos desdobramentos dependem do avanço das perícias. O CBN Total tenta contato com as prefeituras de Alfredo Wagner e Bocaína do Sul, mas, até a publicação da reportagem, não obteve retorno.
A operação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) — força-tarefa formada pelo MPSC, polícias Militar, Civil e Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros —, em conjunto com o Grupo Especial Anticorrupção (Geac) e a Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos (Subjur). As equipes contaram ainda com suporte logístico do Batalhão de Aviação da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC).
O nome da operação, “Dominus Urbis” (do latim, Senhor da Cidade), faz referência aos indícios de que a estrutura pública era manipulada para atender a interesses privados, bem como ao perfil do principal investigado, que demonstrava forte influência e controle sobre setores da administração e da economia local.