Jovem matou pais e irmão por proibição de namoro virtual: “Não se arrepende”
Um adolescente de 16 anos foi apreendido em Itaperuna, no interior do Rio de Janeiro, após confessar o assassinato dos pais e do irmão mais novo. Os corpos das vítimas foram encontrados pela Polícia Civil na manhã de quarta-feira (25) dentro da cisterna da casa da família.
Clique aqui para receber as notícias da CBN Floripa pelo Canal do WhatsApp
Inicialmente, o adolescente apresentou uma versão falsa à polícia. Na terça-feira (24), ele foi à 143ª Delegacia de Polícia, acompanhado da avó paterna, para registrar o desaparecimento da família. Alegou que o irmão havia se engasgado com um pedaço de vidro e que os pais haviam saído para socorrê-lo, sem retornar.
No entanto, os investigadores não encontraram registros da entrada de pacientes com esses nomes em hospitais da região. Diante das inconsistências, uma perícia foi realizada na casa da família, onde os corpos foram localizados.
Família proibiu jovem de conhecer namorada





— A quantidade de sangue encontrada era incompatível com a história contada. Após a descoberta dos corpos, ele confessou. Disse que atirou na cabeça do pai e da mãe, e no pescoço do irmão. Quando perguntamos por que matou o irmão, respondeu que foi para poupá-lo da dor de perder os pais — afirmou o delegado Carlos Augusto Guimarães, responsável pelo caso.
Namoro virtual é a possível motivação
De acordo com a Polícia Civil, o crime pode ter sido motivado por um relacionamento virtual que o adolescente mantinha com uma menina de 15 anos, moradora do Mato Grosso. A relação era desaprovada pelos pais dele. Segundo o delegado, a jovem teria pressionado o rapaz a viajar até seu estado para conhecê-la pessoalmente. A família proibiu a viagem.
— Durante a perícia, encontramos uma mala de viagem pronta, com os celulares das vítimas dentro. Ele contou que conheceu a menina por meio de jogos online, mas não deu muitos detalhes. Já acionamos a polícia do Mato Grosso para localizar a jovem — disse o delegado.
Além disso, os policiais identificaram uma pesquisa feita pelo adolescente no celular: “como receber FGTS de falecido”. O pai teria direito a um valor de aproximadamente R$ 33 mil.
— Quando questionado, ele disse que fez a busca após os assassinatos. Ainda não está claro se foi uma das motivações, mas tanto o interesse financeiro quanto o namoro configuram motivo fútil. Ele terá que responder por isso na Justiça — explicou Guimarães.
Ocultação dos corpos
Segundo o depoimento, o adolescente esperou a família dormir para cometer os assassinatos. Ele contou à polícia que estava dormindo no quarto dos pais, que era o único com ar-condicionado. Para se manter acordado, ingeriu um suplemento pré-treino. A arma utilizada, de posse do pai, estava escondida debaixo do colchão.
Após os crimes, ele usou produto de limpeza para disfarçar o sangue no chão e arrastou os corpos até a cisterna da casa, a cerca de cinco metros do quarto.
A arma foi encontrada posteriormente na casa da avó, que afirmou ter recolhido o objeto ao encontrá-lo, com medo de que o neto pudesse se ferir. Os investigadores não acreditam que ela tenha participação no crime.
— Ele descreveu os assassinatos com frieza. Disse que não se arrepende e que faria tudo de novo. Mostrou um comportamento calculista e se autoafirmava o tempo todo. Apresenta traços de psicopatia, e a suspeita é de que o crime tenha sido premeditado — concluiu o delegado.
O caso segue sendo investigado. O adolescente permanece apreendido e passará por avaliação psicológica.
Leia mais
Veículos a partir de R$ 1,2 mil; veja como participar de leilão em SC
11 pessoas intoxicadas: incêndio atinge Multi Hospital de Florianópolis e unidade precisa ser fechada