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Cinco feminicídios em sete dias acendem alerta para prevenção da violência contra mulheres em SC

Crimes ocorreram em cinco municípios catarinenses entre 20 e 28 de outubro
30/10/2026 - 09:41
(Foto ilustrativa: PMSC, Reprodução)

Cinco mulheres foram vítimas de feminicídio em Santa Catarina em um intervalo de apenas sete dias. Os crimes ocorreram entre 20 e 28 de outubro, nos municípios de Ipira, Faxinal dos Guedes, Vargem, Cocal do Sul e Indaial, tendo como principais suspeitos companheiros ou ex-companheiros das vítimas. A sequência de casos reforça o alerta das autoridades sobre a urgência de identificar fatores de risco e ampliar os mecanismos de prevenção à violência de gênero.

Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), as ocorrências apresentam padrões semelhantes aos diagnosticados no Mapa do Feminicídio, estudo publicado pela instituição em março de 2026 para mapear a dinâmica desses crimes e os sinais que antecedem o desfecho letal.

O primeiro caso foi registrado em Ipira, no dia 20 de outubro, quando um homem matou a ex-companheira e ocultou o corpo em um riacho. Dois dias depois, em Faxinal dos Guedes, outra mulher foi assassinada pelo companheiro, que escondeu a vítima dentro de uma mala de viagem.

Em Vargem, no dia 24, uma mulher foi morta pelo ex-companheiro na frente dos próprios filhos, deixando cinco crianças órfãs. No dia seguinte, em Cocal do Sul, um homem atirou na cabeça da esposa enquanto ela segurava o neto do casal, um bebê de colo. A vítima chegou a receber socorro médico, mas não resistiu.

O quinto caso ocorreu em Indaial, na quarta-feira (28). A vítima foi encontrada morta na residência do ex-companheiro, que não havia sido localizado até a divulgação das informações pelo MPSC.

Término de relacionamento lidera fatores de risco

De acordo com os dados do Mapa do Feminicídio do MPSC, o fim de vínculos afetivos desponta como a principal motivação associada aos assassinatos de mulheres no estado: em 45,8% dos casos analisados pelo levantamento, a não aceitação do término foi o estopim da agressão fatal.

Entre outras circunstâncias mapeadas figuram desentendimentos gerais (24,4%), ciúmes (12,5%), suspeitas de traição (4,6%) e disputas patrimoniais (1,7%).

Para a promotora de Justiça Chimelly Louise Resenes Marcon, coordenadora-geral do Núcleo de Enfrentamento às Violências e Apoio às Vítimas (Neavit), os crimes recentes evidenciam que os indicadores de perigo mapeados pelo órgão seguem recorrentes. Segundo a promotora, a recusa em aceitar a autonomia feminina e a tentativa contínua de controle sobre as decisões da vítima explicam grande parte dessas tragédias.

O relatório do órgão ministerial ressalta que o enfrentamento ao problema precisa transcender a punição penal posterior ao óbito. O foco prioritário deve ser a identificação precoce das violências psicológica e física, assegurando acolhimento e medidas protetivas antes da consumação do ato letal. Para alcançar esse objetivo, a instituição reforça a necessidade de integração transversal entre serviços de assistência social, saúde, educação, forças de segurança e Judiciário.

Municípios menores enfrentam gargalos na rede de apoio

Outro ponto destacado pelo MPSC é que todos os cinco feminicídios aconteceram em municípios de pequeno porte. De acordo com o estudo, mulheres residentes em cidades com menos de 50 mil habitantes encontram barreiras estruturais extras para ter acesso imediato a delegacias especializadas e centros de apoio técnico.

Nessas regiões, a retaguarda frequentemente se concentra em polos regionais de referência, o que pode retardar o tempo de resposta em cenários de risco iminente. O diagnóstico frisa a demanda urgente de estruturar equipes municipais de assistência, qualificar agentes públicos locais e criar canais ágeis de triagem.

Além das perdas irreparáveis, as mortes provocam traumas profundos nas famílias: em parte das ocorrências da última semana, crianças e adolescentes foram expostos diretamente aos assassinatos ou perderam a mãe de forma traumática.

Canais para orientação e denúncia

Vítimas de violência doméstica ou testemunhas de episódios de agressão podem buscar atendimento e formalizar denúncias por diferentes meios:

Também é possível comparecer presencialmente às Delegacias de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (Dpcami) ou procurar atendimento nas promotorias do Ministério Público de Santa Catarina em cada comarca.

Sob supervisão de Pablo Olave Brito

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