Reflexão do dia: “Somos campeões mundiais de sorrir em público e adoecer em particular”
Estar bem o tempo todo tornou-se quase uma obrigação social, mas o custo dessa aparência é alto. Quem já se pegou respondendo “tudo ótimo” com a voz embargada entende o alerta trazido pelo psicólogo Rossandro Klinjey no quadro Refletir para Viver, da CBN. Para o especialista, há uma distância perigosa entre a imagem que projetamos e o que realmente vivemos na intimidade.
Somos, segundo ele, campeões mundiais em sorrir em público e adoecer em particular. E essa dualidade revela o quanto confundimos momentos passageiros de descontração com o verdadeiro equilíbrio emocional.
Confira a reflexão de Rossandro Klinjey sobre saúde mental
“Alegria é como se fosse clima, mas a saúde mental é nossa estrutura. Esse país tropical confunde os dois há séculos. Alegria é o sol que bate na varanda — bonito, real, mas passageiro como um dia de verão. Saúde mental é o alicerce da casa: invisível, silencioso, e quem sustenta tudo quando a tempestade chega”.
No universo virtual e no cotidiano acelerado, muitos constroem uma fachada impecável sobre estruturas fragilizadas. “No mundo das redes sociais, tem muita gente que tem uma casa de alicerce podre com a varanda mais ensolarada da rua. Uma pessoa pode dançar no bloco e chorar sozinho no Uber voltando para casa”, adverte o consultor.
A busca incessante por demonstrar entusiasmo cobra uma conta alta no bem-estar psicológico. “O país do Carnaval é também o mais ansioso do mundo. Festa com alarme ligado. A ansiedade virou o imposto que se paga por performar alegria em tempo integral para os outros, porque manter o sorriso de fachada cansa — e cansa num lugar que nenhum exame alcança”.
Diante desse cenário em que expor a própria vulnerabilidade é visto como uma falha, Rossandro Klinjey faz um convite direto à escuta empática:
“Como você está quando ninguém está vendo? Faz essa pergunta essa semana para alguém que você ama e sustenta o silêncio que vier depois, sem pressa de preencher. Tem gente sorrindo no bloco há anos esperando alguém perguntar pelo quarto escuro”, finaliza.