Pesquisa aponta: chá-verde e vitamina B3 podem ajudar contra Alzheimer
Pesquisadores identificaram substâncias capazes de proteger o cérebro contra o envelhecimento e até mesmo de reduzir riscos ligados ao Alzheimer. A descoberta abre caminho para novas estratégias de prevenção sem medicamentos.
A pesquisa revelou que essas moléculas conseguem restaurar a energia das células nervosas e eliminar proteínas associadas à progressão da doença. O achado traz esperança, mas também exige cautela.
Os cientistas ressaltam que ainda são necessários mais estudos para confirmar os efeitos em humanos, mas os primeiros resultados já chamam atenção pela eficácia observada em células cerebrais.
Os compostos naturais que surpreenderam os cientistas
Entre os aliados promissores, estão uma forma de vitamina B3 chamada nicotinamida e um antioxidante encontrado em uma das bebidas mais consumidas no mundo: o chá verde.
Essas moléculas restauraram a energia de neurônios envelhecidos e, além disso, estimularam a eliminação de proteínas beta-amiloides, características marcantes do Alzheimer e do declínio cognitivo.
“À medida que as pessoas envelhecem, seus cérebros mostram um declínio nos níveis de energia neuronal”, explicou o médicoGregory Brewer, autor da pesquisa, em entrevista ao portal britânico Independent. “Restaurar essa energia ajuda os neurônios a limpar proteínas indesejadas”, completa.
Como a energia celular influencia no envelhecimento cerebral
Os cientistas usaram uma técnica fluorescente para monitorar a produção de energia em células de camundongos idosos com sinais da doença. O foco foi o GTP, molécula essencial para manter o metabolismo em funcionamento.
Com o envelhecimento, os níveis de GTP caíram de forma acentuada, dificultando a chamada autofagia, processo natural de limpeza celular. Esse desequilíbrio permitiu o acúmulo de proteínas nocivas no cérebro.
Após apenas 24 horas de tratamento com os compostos, as células voltaram a apresentar níveis energéticos semelhantes aos de células jovens, recuperando funções essenciais de defesa e proteção.
Esperança para o futuro, mas ainda com cautela
“Suplementar os sistemas de energia do cérebro com compostos já disponíveis como suplementos alimentares pode abrir um novo caminho para tratar o declínio cognitivo”, destacou Brewer.
No entanto, os cientistas alertam que nem todos os métodos de ingestão funcionam da mesma forma. Estudos anteriores mostraram que a nicotinamida oral, por exemplo, perde parte de sua eficácia na corrente sanguínea.
Mesmo assim, os resultados indicam estratégias promissoras para proteger neurônios do hipocampo, região ligada à memória e ao aprendizado. O próximo passo é entender como aplicar isso em tratamentos para humanos.