O maior botânico de SC inspira mostra de arte com mais de 40 obras em Florianópolis
A exposição Bromeliário – legado botânico de Raulino Reitz sob a perspectiva artística de Walmor Corrêa ocupa a Helena Fretta Galeria de Arte, no Centro de Florianópolis. Com visitação gratuita, a mostra apresenta ao público o resultado de cinco anos de uma pesquisa intensa que transformou dados científicos em mais de 40 obras de arte inéditas.
O projeto é uma grande reverência ao Padre Raulino Reitz (1919–1990), considerado um dos maiores botânicos do Brasil. Ao longo de cinco décadas, Reitz realizou quase mil expedições científicas, mapeando e catalogando cerca de 95% das espécies de bromélias de Santa Catarina.
“Espero que o conjunto de obras revigore, no âmbito local, a memória do prestigiado botânico e a valorização da fauna, da flora e da imensa biodiversidade brasileira”, destaca o artista Walmor Corrêa, que nasceu na Capital catarinense e hoje mora em São Paulo.
O percurso da floresta à galeria
A curadoria, assinada por Fabrício Tomazi Peixoto, organizou a galeria em três núcleos complementares que guiam o espectador pelo ecossistema do Sul do país.
O primeiro espaço traz nove pinturas que retratam as paisagens bucólicas e áreas intocadas exploradas por Raulino Reitz. O diferencial está nos detalhes: na lateral de cada tela, o artista incluiu ilustrações com rigor científico da bromélia e do animal polinizador daquele habitat específico.
O segundo núcleo destaca a azulejaria. Inspirado no clássico livro Flora Ilustrada Catarinense, Corrêa estampou 30 espécies de bromélias em superfícies cerâmicas, criando painéis e objetos tridimensionais revestidos de azulejos serigrafados.
O último ambiente recria a própria atmosfera de uma floresta de bromélias. Ali, gravuras destacam seis espécies nativas de folhas longas e cores vibrantes — muitas delas correndo risco de extinção em seus habitats originais —, além de evidenciar o papel vital de beija-flores e abelhas na manutenção da floresta.
Para garantir a fidelidade científica das representações, o artista contou com o apoio técnico do biólogo Luís Adriano Funez e do Herbário Barbosa Rodrigues, instituição mantida pela Fundação Universidade do Vale do Itajaí (Univali). Além das obras principais, a mostra pinçou peças pontuais da série Etnografia Cultural da Flora Mágica Brasileira para dialogar com o acervo.