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Living de 83 m² usa madeira reaproveitada de igreja e mármore com fósseis para criar ambiente atemporal

Projeto da CASACOR SC combina materiais naturais, arte e design brasileiro em uma proposta que busca fugir das tendências passageiras
12/10/2026 - 14:08
Casa Permanência, RCK Arquitetura e Construção (Foto: Lio Simas, Divulgação)

O que faz um ambiente continuar fazendo sentido daqui a 10 ou 15 anos? Foi a partir dessa pergunta que a arquiteta Carolina Pellenz criou um living integrado à suíte de 83 m², marcado por materiais que carregam histórias, peças de design brasileiro e elementos naturais.

Entre os detalhes que ajudam a contar essa história está a madeira utilizada no teto. O material foi reaproveitado da sobra do teto de uma igreja e ganhou uma nova função no projeto. Em réguas finas de madeira natural, o acabamento ajuda a criar uma atmosfera acolhedora e remete a casas de outras épocas.

O ambiente é a Casa Permanência, projeto da RCK Arquitetura e Construção apresentado na CASACOR SC/Florianópolis 2026. A proposta é fugir de uma estética passageira e criar um espaço que continue relevante mesmo quando as tendências mudarem.

“Permanência, para nós, é aquilo que consegue atravessar o tempo. Não significa criar um ambiente parado no passado, mas fazer escolhas contemporâneas que tenham profundidade suficiente para continuar fazendo sentido no futuro”, explica Carolina.

Mármore com fósseis vira destaque no banheiro

No banheiro, outro material chama atenção pelas marcas que carrega. O mármore fóssil marrom escolhido para o projeto apresenta fósseis aparentes e padrões irregulares na superfície. Em vez de esconder essas características, a arquitetura transforma aquilo que poderia ser considerado uma imperfeição em parte da identidade do espaço.

A composição também utiliza pedra Moledo Corten, porcelanatos de grandes formatos e revestimentos minerais. A paleta segue tons terrosos e ganha profundidade com paredes marrons e metais pretos, uma mudança na linguagem da RCK, que aposta pela primeira vez de maneira mais contundente em cores escuras.

Nos tecidos, o marrom camurça das poltronas e da cabeceira contrasta com a seda Mulberry do jogo de cama.

Uma casa brasileira sem seguir uma única fórmula

A Casa Permanência procura representar também uma maneira de habitar que tenha relação com o Brasil. Essa identidade aparece na mistura de materiais, na presença do artesanato, na valorização da produção regional, nas obras de arte e no mobiliário autoral. “Queríamos mostrar que o Brasil tem uma produção extremamente rica em arquitetura, design, arte, materiais e mão de obra. E que essa riqueza pode ser explorada de uma maneira contemporânea, sem perder nossas referências e nossa memória. Na CASA PERMANÊNCIA, nada é aleatório. Cada material, cada peça, cada obra e cada textura participa dessa história”, afirma.

A base neutra do ambiente recebe pontos de cor por meio das obras da artista catarinense Camila Saavedra, desenvolvidas especialmente para o projeto.

No mobiliário, a proposta reúne diferentes gerações do design autoral brasileiro, com peças de nomes como Jader Almeida, Ronald Sasson e Luciana Catani. Também estão presentes objetos de Sui Objetos, Heloísa Galvão, Studio Pedrazzi e Iludi.

A produção catarinense aparece nas esculturas em madeira natural do Studio Cacto e nos tapetes desenhados pela própria RCK e produzidos artesanalmente em Santa Catarina com matéria-prima 100% brasileira.

Materiais terão novo destino após a mostra

A preocupação com a permanência também aparece nas escolhas sustentáveis. O piso foi instalado de forma a permitir seu reaproveitamento depois da CASACOR, enquanto as pedras serão retiradas e transformadas em retalhos.

O projeto também utiliza vidro, PVC e alumínio considerando o potencial de reciclagem desses materiais. Fornecedores, materiais e mão de obra locais foram priorizados para reduzir deslocamentos e valorizar profissionais da região.

O paisagismo tropical, desenvolvido em parceria com o Grupo Le Nôtre, completa a proposta biofílica. A vegetação aproxima o interior da natureza, enquanto a iluminação quente valoriza texturas e obras de arte.

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