Escritora catarinense lança edição de 10 anos de obra que debate saúde e violência contra a mulher
A linha entre o prontuário médico e a crônica literária ganha novos contornos com o lançamento da edição comemorativa de 10 anos do livro “As meninas que nunca perderam a graça”, de Adriana Moro.
A obra da enfermeira e pós-doutora em Saúde Pública nasceu de forma independente e agora retorna ao mercado em versão ampliada, trazendo uma nova narrativa focada em um dos temas mais urgentes da atualidade: a violência contra a mulher.
Nascida em Mafra, no Norte do estado, Adriana utiliza a técnica da autoficção para transformar sua experiência acadêmica e profissional em narrativas que tocam o leitor pela vulnerabilidade.
“A decisão de relançar o livro veio dos persistentes pedidos dos próprios leitores que já tinham lido a obra, mas que não a achavam mais disponível para a venda quando queriam presentear parentes e amigos com um livro que marcou as suas vidas”, explica a autora.
O impacto do novo texto
Anteriormente composta por seis histórias, a coletânea agora conta com sete textos. A nova adição mergulha nas complexidades da violência de gênero, tema que Adriana domina não apenas pela sensibilidade da escrita, mas pelo olhar técnico de sua formação em políticas públicas e saúde.
As histórias transitam entre os corredores de unidades de saúde e os dilemas éticos e emocionais de pacientes e profissionais. “A obra que, em sua primeira edição era parte de uma série, agora ganha protagonismo próprio. Os leitores podem esperar ainda mais força nos encontros e vontade de resistir para viver”, afirma Adriana, que já caminha para o seu décimo lançamento literário.
Diferente de uma abordagem puramente técnica, o livro utiliza alegorias e nomes fictícios para proteger a identidade de quem inspirou os contos, mantendo, porém, a “crueza” necessária para denunciar preconceitos e as dificuldades do sistema de saúde.